Retrospectiva do Jornal de Toronto 2024

Veja as matérias mais lidas do ano!

Você deve ter notado que começaram a aparecer em suas timelines, no Facebook e no Instagram, posts com textos mais ou menos do mesmo tamanho (quatro ou cinco parágrafos), com informações de datas e nomes de pessoas e sobre um local histórico intrigante… tudo gerado por Inteligência Artificial (IA). Nesses casos, nem mesmo podemos afirmar se são ou não fruto de informações falsas. De qualquer forma, há pelo menos duas questões importantes para prestarmos atenção: a primeira, não há autoria, e sim uma compilação de conteúdos que vieram de fontes especializadas e não-especializadas; o segundo problema é a potencialidade de informações falsas, muito fáceis de passarem desapercebidas no meio de uma série de dados corretos. O leitor, portanto, fica vulnerável à manipulação, conforme o objetivo de quem criou o post pelo IA.

Com tudo isso, para onde vai o jornalismo? Não sabemos. Já é muito comum abrirmos um jornal ou revista e encontrarmos uma série de matérias sem autoria ou com a assinatura da “equipe editorial”, que em outras palavras significa que, por alguma razão, o autor ou a fonte do referido texto não foram convenientes de serem revelados. Estranho, não? Isso ocorre, geralmente, quando o texto foi “inspirado” – para usarmos um termo leve aqui – em uma matéria de outra agência de notícias, ou quando foi IA mesmo. Outras vezes, criam-se nomes de jornalistas que não existem. Enfim, de toda forma, o leitor acaba sendo enganado.

Desde o lançamento do Jornal de Toronto, em 2017, optamos por não ser um jornal de notícias, mas sim um jornal de opinião. Por isso, ter uma equipe de colunistas fixos, somados a colaboradores frequentes e esporádicos, bons ilustradores (nenhuma IA) e um Conselho Editorial, criou um volume de conteúdo extraordinário e autoral. Por essa razão, cremos, temos uma média de 65 matérias lidas por dia, sendo que publicamos apenas 6 matérias novas por mês (em média); ou seja, nosso conteúdo atemporal engaja nossos leitores diariamente, ano a ano, com matérias preparadas por pessoas reais, com opiniões e conhecimentos reais, escritas para leitores que, de fato, leem e refletem sobre os conteúdos publicados. Não há like ou coraçãozinho que substitua isso.

Também é preciso dizer que somos lidos não apenas no Canadá, mas também no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Angola, e outros cinco países. Nosso muito obrigado as 24.000 pessoas que leram, efetivamente, nossas matérias online em 2024, e às outras milhares que estão lendo nossa edição impressa de Inverno!

As matérias mais lidas em 2024

Foto: Divulgação.

A matéria “Brasil adota nova carteira de identidade“, escrita pelo jornalista José Francisco Schuster, foi escrita em novembro de 2022, mas até hoje é fonte de consulta por brasileiros em vários países. Nesse ano de 2024, o número de leitores dessa matéria triplicou.

 

Parte do grupo de autoras do livro “De Outro Lugar: vozes da imigração feminina”. Foto: Hadassa Freddi.

Um sonho que se ousou sonhar“, escrito por Rosana Entler, foi a segunda matéria mais lida em 2024. Ela fala sobre o lançamento do livro “De Outro Lugar: vozes da imigração feminina”, livro produzido pelo Jornal de Toronto junto com a Canoa Editorial, e patrocinado pela Mellohawk Logistics.

 

 

 

O episódio 30 do nosso podcast “Conversa Fora“, apresentado por Alexandre Dias Ramos e Nilson Peixoto, tornou-se uma referência para o entendimento da música “Ai que saudade da Amélia”, escrita por Mário Lago e Ataulfo Alves. O podcast, chamado “Amélia é que era mulher de verdade?“, foi lançado em junho de 2021, e já foi ouvido em 306 cidades de 23 países.

 

Ilustração: Gerd Altmann.

O advogado Eduardo Oliveira escreve sobre um problema recorrente entre casais imigrantes: “O sonho canadense pode acabar em divórcio. O que fazer?“. Ele explica sobre os procedimentos judiciais, sobre divórcio consensual e litigioso, e onde encontrar ajuda.

 

 

Contâineres no Porto de Santos. Foto: Codesp.

Já passou pela cabeça de todo imigrante brasileiro no Canadá mandar encomendas para o Brasil, algo como um presente para alguém ou até grandes volumes. Contudo, há muita desinformação a respeito e, para esclarecer, José Francisco Schuster conversou com Arnon Melo sobre “Como enviar cargas do Canadá para o Brasil?“.

 

À esquerda, o líder do NDP Jagmeet Singh e, à direita, o Ministro da Defesa Harjit Singh Sajjan. Fotos: Wayne Polk e U.S. NATO.

Na matéria “Entre turbantes, preces e batalhas“, o historiador André Sena fala da trajetória de resiliência e resistência cultural dos Sikh no Canadá e como o país se adaptou aos valores dessa comunidade, adotando, por exemplo, o turbante à tradicional polícia montada canadense.

 

 

Desenho: Nayá Ramos.

E, para nosso espanto, a matéria “Dialetos da língua portuguesa se encontram no Canadá“, publicada online em 22 de junho de 2017 e em nossa edição impressa #1, em julho do mesmo ano, figurou como a sétima matéria mais lida no site do Jornal de Toronto em 2024. Decerto a diversidade permanece sendo o mote central do nosso jornal!

 

Foto: Sez Nandy.

Em “A morte é a energia que se transforma“, Gui Freitas traz palavras de força e esperança sobre um assunto tão delicado. “No contexto individual de quem experimentou uma perda esse ano, as transformações internas podem construir indivíduos mais fortes, com propósitos bem definidos e uma vontade maior de deixar sua história expressa na vida dos que ama.”

Haveria ainda tantas outras matérias a destacar nesse ano de 2024, mas optamos por apenas algumas das mais lidas. Muitas outras, não menos importantes, você poderá sempre ler e reler em nosso site. Toda semana há jornalistas e autores excelentes preparando matérias sérias e reflexivas sobre nosso mundo contemporâneo. Acompanhe a gente pelo site, pela newsletter e pelo nosso jornal impresso.

A edição impressa

Lançada no início de dezembro de 2024, a Edição de Inverno do Jornal de Toronto tem tido uma trajetória extraordinária. Nossa alegria é imensa por ver, num mundo tão “virtualizado”, leitores aproveitando o prazer de ler um jornal em papel. O mundo é assim, amplo e diverso. Feliz 2025!

Sobre Alexandre Dias Ramos (33 artigos)
Alexandre é editor-chefe do Jornal de Toronto, mestre em Sociologia da Cultura pela FE-USP, doutor em História, Teoria e Crítica pela UFRGS, e membro-pesquisador da Universidade de São Paulo. É editor há 20 anos e mora em Toronto, Canadá.

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