Bem-estar físico e emocional do trabalhador pós-coronavírus

O que esperar com as mudanças nas relações entre empresa e funcionários?

Gia Freitas é médica

O Covid-19 trouxe muitas alterações nas rotinas e relações de trabalho. As empresas canalizaram toda sua preocupação e esforços para se manterem ativas, reinventaram as técnicas de venda e entrega de seus produtos e mostraram-se preocupadas com a segurança e bem-estar do consumidor. Mas dentro desse processo existe também o funcionário, que desempenha um papel fundamental e merece um olhar mais cauteloso. Além da preocupação com a atividade fim do seu negócio, o empresário também deve se preparar para as alterações nas relações com seus funcionários, no que diz respeito à segurança e medicina do trabalho.

Mesmo com o teletrabalho, durante o período laboral a saúde do funcionário continua sendo responsabilidade do empregador. E como garantir para esse trabalhador condições ergonômicas favoráveis? Como checar se ele está em um lugar iluminado, com temperatura adequada, usando as ferramentas apropriadas para um conforto visual e osteomuscular? Para muitos pode parecer muito tentador trabalhar no sofá, na cama ou em outro ambiente, e nos primeiros dias pode até resultar em satisfação pessoal e melhora da performance, mas o preço a médio e longo prazos pode ser avassalador. É importante que as empresas não apenas consigam conscientizar os funcionários em relação à ergonomia necessária para desempenho de suas atividades, mas também mantê-los engajados em seu autocuidado, como pausas de descompressão e ginástica laboral. Sem o ambiente da empresa, perde-se também a interação social, o cafezinho do meio da manhã, o almoço com os amigos e várias outras interações sociais tão necessárias para o bem-estar mental.

Outro fator que deve ser observado é a biossegurança dos funcionários. Antes da pandemia apenas trabalhadores da área de saúde tinham normas e treinamentos sobre biossegurança, pois considerava-se que apenas eles tinham maior risco de contaminação com agentes biológicos. Hoje, o risco de infecção pelo Covid-19 está em todas as relações interpessoais. Não se pode esperar que os trabalhadores aprendam de forma mágica como se proteger, ou que se baseiem em seus próprios conhecimentos; é necessário treinamento específico, que vai desde a lavagem simples das mãos e como colocar e tirar a máscara, até como proceder se um cliente ou colega tiver algum sintoma grave e necessitar de ajuda.

Com os novos desafios advindos da pandemia, as preocupações dos empresários devem estar divididas tanto em manter suas atividades fim, quanto em estabelecer a saúde e bem-estar físico e emocional dos trabalhadores, a fim de que continuem saudáveis e produtivos.

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