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Jornal de Toronto resgata o Jornalismo maiúsculo


O fundamental e o diferencial é o conteúdo.

Prensa rotativa que rodou a primeira edição do Jornal de Toronto, em julho de 2017.

José Francisco Schuster é colunista do Jornal de Toronto

Quando soube que ia ser lançado o Jornal de Toronto, pouco mais de um ano atrás, um brilho tomou conta dos meus olhos. E isso apenas pelo surgimento de um novo jornal, nem esperava a honra de ser convidado para ser colunista. Afinal, estamos vivendo um momento histórico mundial de transição no jornalismo. Depois de nada menos do que 400 anos em que jornais dominaram, apenas a partir da virada deste século que, com a internet, tornou-se possível ler notícias em outro suporte físico que não fosse papel. Contudo, a transição do conteúdo editorial não vem sendo acompanhada na mesma velocidade pela transição publicitária, e é por isso que jornalistas e leitores lamentam o fechamento de muitos jornais em todo o mundo – inclusive alguns de renome –, ou pelo menos o fim de suas edições impressas.

A coragem de ter lançado em 2017 um jornal em papel, portanto, é para poucos, ainda mais sendo focado não no público em geral, mas nos imigrantes capazes de ler em uma língua não-oficial do país em que moram. A proposta do Jornal de Toronto, contudo, me encantou de imediato: ter um produto de qualidade, publicando-se apenas textos selecionados por um conselho editorial, para que sejam do agrado também da nova geração de brasileiros que vem chegando ultimamente em grande número no Canadá, seja para fazer cursos de inglês, cursos de nível superior ou como imigrantes aprovados pela sua alta qualificação profissional.

O resultado não podia ser outro: uma tiragem crescente do Jornal, a par de um aumento exponencial também no número de pessoas que o leem online, já que a internet não pode ser desprezada. Se a distribuição de exemplares do JdeT impresso vem se expandido para cada vez mais cidades do Canadá, o acesso pela internet permite que o Jornal de Toronto tenha leitores fiéis inclusive no Brasil – o envio pelo correio seria algo demorado e caro. Se a internet permite agregar conteúdo extra ao longo do mês, com reportagens atualizadas e até os podcasts com as entrevistas do programa Noites da CHIN – Brasil, a sensação de pegar um jornal impresso ainda é insuperável, uma excelente companhia em um café, um bar, um parque, uma praia, e assim por diante – até porque, o reflexo do sol em uma tela é muito incômodo para a leitura.

Entretanto, insisto, o fundamental e o diferencial é o conteúdo. Pode-se creditar parte das tiragens decrescentes de muitos jornais brasileiros, principalmente, pelo descrédito cada vez maior que os leitores lhes dão. Incrivelmente, em pleno 2018, a mídia brasileira ainda está dividida entre poucas poderosas famílias, ao estilo das velhas capitanias hereditárias. Obviamente, seus interesses vêm antes de tudo e o resultado são visões distorcidas da realidade brasileira, para que as metas políticas, econômicas e sociais dessa elite sejam preservadas a todo custo. Muitos jornalistas bem-intencionados têm a tristeza de transformarem-se em fantoches nas mãos de seus patrões.

O Jornal de Toronto, por outro lado, pertence ao seleto pequeno grupo de mídias em que verdadeiramente não há rabo preso – não havendo, portanto, uma lavagem cerebral dos leitores. Como diz o vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, o brasileiro Celso Augusto Schröder, “o que as empresas de comunicação cometeram contra a população brasileira ao transformarem seu jornalismo em propagada política, em publicidade comercial velada ou não, em entretenimento e sensacionalismo, em mentira deslavada em suma, não será resolvido nas próximas décadas”. Nesta luta de David contra Golias, em busca de um Brasil e um mundo melhores, o Jornal de Toronto vem trazer esperança, na medida em que seus leitores constatam que ainda é possível Jornalismo com J maiúsculo. Longa vida, Jornal de Toronto! Um prazer imenso estar neste projeto!

Sobre José Francisco Schuster (17 artigos)
Com mais de 35 anos de experiência como jornalista, Schuster atuou em grandes jornais, revistas, emissoras de rádio e TV no Brasil. Foi, durante 8 anos, âncora do programa "Fala, Brasil", e agora produz e apresenta o programa "Noites da CHIN - Brasil", na CHIN Radio.

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