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Filmão da semana!


Com mais de $400 milhões arrecadados ao redor do mundo, “Black Panther” é o suprassumo do entretenimento.


Leandro Calado é jornalista pela Universidade Federal de Sergipe e é colunista do Jornal de Toronto

Quando se pensa num filme dos Estúdios Marvel, não se pensa em imersão. A prioridade, normalmente, é a de entregar a audiência algumas horas com super-heróis em cenas de luta, efeitos especiais e toneladas de alívios cômicos entre uma batalha e outra. Este não é o caso do filme mais recente do estúdio. Black Panther, dirigido por Ryan Coogler, eleva o nível dos Estúdios Marvel a um novo patamar, provando que é possível produzir um filme de super-herói que diverte e, ao mesmo tempo, provoca debates sobre temas sociais. A questão racial é amplamente abordada durante todo o longa-metragem. As motivações, tanto do herói quanto do vilão, estão relacionadas à herança africana e a história dos seus ancestrais.

Após o falecimento do seu pai, T’Challa (Chadwick Boseman) assume o trono de Wakanda – uma nação africana altamente desenvolvida tecnologicamente, que esconde sua realidade avançada do resto do mundo para se proteger de possíveis colonizadores. Sua liderança é contestada por Erik Killmonger (Michael B. Jordan), que afirma ser o verdadeiro rei de Wakanda, devido a um erro cometido pelo pai de T’Challa no passado. A disputa pelo posto de Pantera Negra bota em risco os segredos de Wakanda, e cabe a T’Challa proteger a sua nação.

As motivações de Erik podem confundir o público quanto ao seu posto de vilão. Seus propósitos são reais e estão longe de serem egoístas. Clamar o trono de Wakanda é uma forma que ele encontra para ajudar as pessoas de origem africana ao redor do mundo. Trazendo para a realidade, Erik seria o militante radical, enquanto T’Challa seria o militante liberal. Este conflito entre pessoas de um mesmo grupo talvez seja a coisa mais importante que a Marvel já produziu no cinema. A temática é completamente atual e traz um didatismo sem precisar fazer palestra.

O impacto fora das telas se encontra na questão da representatividade negra. Black Panther tem mais de 90% do seu elenco composto por atores afrodescendentes e, mais importante que isso, os personagens fogem dos estereótipos de pessoas negras normalmente abordados no cinema. Destaque para as personagens femininas da trama Shuri (Letitia Wright), Nakia (Lupita Nyong’o) e principalmente para a performance da líder do exército de mulheres guerreiras de Wakanda – as Dora Milaje – Okoye (Danai Gurira).

Com mais de 400 milhões de dólares arrecadados ao redor do mundo, Black Panther é o suprassumo do entretenimento.

Sobre Leandro Calado (19 artigos)
Nascido no Rio de Janeiro e nordestino de coração, Leandro Calado é jornalista graduado pela Universidade Federal de Sergipe. Em 2017, trocou o menor estado do Brasil pela imensidão de Toronto. Apaixonado pela sétima arte e cultura pop em geral, escreve semanalmente para a versão online do Jornal de Toronto, onde indica (ou não) filmes para os leitores.

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