Lembre-se do seu cérebro

É fundamental dedicar uma atenção especial ao cérebro, especialmente diante do crescente número de casos de Alzheimer

Ilustração de Artlist Design.

Débora Corsi é administradora

O título de hoje pode parecer incomum à primeira vista – afinal, como poderíamos esquecer que temos um cérebro? –; no entanto, o intuito é despertar a reflexão sobre como a saúde mental vai muito além da simples gestão emocional.

Quando algum órgão vital, como os rins, os pulmões ou o coração, apresenta uma disfunção, buscamos imediatamente assistência médica. Fazemos exames regulares com ginecologistas, cardiologistas e urologistas, mas raramente ouvimos alguém mencionar a necessidade de consultar um neurologista ou psiquiatra para um check-up cerebral. Sim, é fundamental dedicar uma atenção especial ao cérebro, especialmente diante do crescente número de casos de Alzheimer. A rotina acelerada e estressante muitas vezes nos impede de lembrar que, sem uma saúde cerebral preservada, nossos sonhos podem ficar estagnados.

Vivi essa realidade de perto. Meu pai faleceu após passar por um estado de demência, perdi amigos para o Alzheimer e, atualmente, acompanho a progressão dessa doença em uma amiga muito querida. É devastador visitá-la e perceber que, após quarenta anos de convivência, ela simplesmente não sabe mais quem eu sou.

De acordo com uma matéria publicada no site Agência Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 55 milhões de pessoas vivam com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer a mais comum, afetando sete entre dez indivíduos nessa condição em todo o mundo. A tendência é preocupante: a Alzheimer’s Disease International, sediada no Reino Unido, projeta que, até 2030, o número global de casos chegará a 74,7 milhões, e, até 2050, a 131,5 milhões. No Brasil, o Ministério da Saúde indica que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas sofrem com a doença, com 100 mil novos diagnósticos anuais.

Diante dessa realidade, precisamos acender um sinal de alerta. O Alzheimer e outras demências estão impactando o mundo, e nossa responsabilidade é acompanhar de perto aqueles que vivem ao nosso lado, especialmente os idosos. Muitos emitem sinais precoces da doença, mas nem sempre recebem a atenção necessária. É doloroso ver alguém que antes tinha uma vida ativa e independente, de repente, necessitar de cuidados constantes, perdendo sua autonomia.

A mudança no comportamento e outros sinais evidenciam o quão pequenos somos diante dessa doença. No entanto, este alerta não tem a intenção de assustar, mas sim de mobilizar o maior número possível de pessoas a cuidar melhor da saúde cerebral e buscar orientação de profissionais para uma vida mais saudável. Não negligencie sua saúde, não adie exames para o próximo mês e esteja atento a quem convive com você. Ame sua vida e cuide de quem você ama.

Desejo saúde a todos!

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