De “Neblina Mental” a problemas de insônia
Bruno Gino é médico e professor universitário
Como médico, venho me especializando no tratamento da Covid Longa (ou Long Covid, em inglês) desde o início da pandemia, quando percebi que pacientes que se recuperaram da Covid-19 ainda apresentavam problemas graves de saúde meses depois da alta hospitalar nas UTIs colapsadas do Brasil. Além disso, procuro informações atualizadas sobre os desafios persistentes enfrentados por muitos pacientes e por profissionais da saúde que não têm muita experiência com esta condição.
Embora a ameaça imediata da Covid-19 tenha diminuído – principalmente devido às vacinas –, as múltiplas variantes brandas do Ômicron continuam a afetar pessoas ao redor do mundo. Enquanto a Covid-19 já não é mais uma emergência global, a Long Covid persiste, impactando pessoas de todas as idades, incluindo crianças. De acordo com um estudo da Lancet publicado em dezembro de 2023, aproximadamente 65 milhões de pessoas estariam lidando com a Long Covid hoje, uma síndrome que persiste com uma variedade de sintomas, desde fadiga até disfunção cognitiva. Sem cuidados médicos e sem entender por que ainda apresentam sinais e sintomas da doença meses ou anos após a recuperação, o paciente muitas vezes não faz ideia de que sofre destas condições secundárias a uma infecção pelo SARS-CoV-2 do passado.
Diferentemente da rápida recuperação de muitos casos da Covid-19, a Long Covid pode persistir em 10-20% das pessoas. O Lancet estima que 1 em cada 10 pessoas que desenvolvem a condição deixam de trabalhar, resultando em extensas perdas econômicas.
É crucial compreender que a Long Covid não é uma condição monolítica, pois cada indivíduo experimenta uma combinação única de sintomas. As manifestações respiratórias podem se entrelaçar com sintomas neurológicos, cognitivos e outros não respiratórios. É muito importante destacar a importância de reconhecer esses problemas para priorizar pesquisas e oferecer suporte eficaz.
Os sintomas com os quais as pessoas ainda podem estar lutando são: fadiga, falta de ar, confusão mental, dor muscular e nas articulações, perda de olfato e paladar, problemas de sono, dores de cabeça, palpitações cardíacas e dor no peito, problemas digestivos, e sintomas neuropsicológicos como depressão e síndromes de ansiedade.
Para aqueles que enfrentam sintomas persistentes após a infecção por Covid-19, a consulta médica é fundamental. Participar de grupos de apoio para pacientes também pode oferecer conexão, recursos e apoio emocional. Praticar estratégias de autocuidado, gerenciar o estresse, garantir um sono adequado e manter hábitos saudáveis são passos importantes para gerenciar sintomas e melhorar o bem-estar geral.

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