A invasão canadense dos “Lusitanian Ghosts”
Da esquerda para a direita: Johnny Sousa, Janne Olsson, Neil Leyton, Micke Lundin, Abel Beja, ToZé Bexiga. Foto: Katja Ruge @ Clouds Hill Studio Hamburg.
Fundada pelo cantor e compositor luso-canadense Neil Leyton e pelo músico sueco Micke Ghost, a banda lisboeta de neo-folk Lusitanian Ghosts é muito conhecida pelo trabalho inovador de dar nova vida a instrumentos medievais por meio de canções sociopolíticas. As guitarras elétricas foram substituídas pelos cordofones – esses instrumentos, como as violas terceirense, amarantina, beiroa, campaniça e braguesa, estavam quase extintos.
Portugal pode ser um país pequeno, mas em cada região diferente esses instrumentos antigos têm formas, arranjos de cordas e afinações distintas: de variações de 10 a 18 cordas, eles infundem as canções com um som de inspiração medieval, agora reinventados pela banda para o século XXI.

Abel Beja tocando a viola terceirense.
Essa fusão musical única ressoa com os fãs tanto no nível emocional quanto intelectual. Ao reformular habilmente violas populares em canções de rock n roll, Lusitanian Ghosts cria arranjos melódicos comoventes para examinar tópicos difíceis, como lidar com passados sombrios enquanto se busca construir um mundo melhor.
Nos vocais estão Neil Leyton e Micke Ghost, que também toca a viola amarantina; com João Sousa na bateria e no adufe, Abel Beja na viola terceirense, ToZé Bexiga na viola campaniça e piano, e Janne Olson no baixo e na viola beirão. Outros Ghosts incluem O Gajo e Vasco Ribeiro Casais.
Nos últimos seis anos, o coletivo lançou três álbuns, com shows em Portugal, Alemanha, Suécia e Finlândia, todos muito aclamados pela crítica. Eles estarão este mês no Canadá e se apresentam no dia 20 de fevereiro no Folk Alliance International 2025 Official Showcase Artists, no Sheraton Centre Hotel em Montreal; e em Toronto, no Lighthouse Artspace, no dia 25 de fevereiro.
O novo single do Lusitanian Ghosts, “On and On”, será lançado mundialmente em 14 de fevereiro de 2025, seguido de uma compilação digital para Canadá e EUA, Chordophone Rock n Roll, programada para 19 de fevereiro. A música aborda a complexidade do amor, da perda e da superação. “Perder alguém que amamos é talvez a maior dificuldade emocional que um ser humano pode suportar, e este mundo está cheio de perdas, corações partidos e dor no momento”, diz Leyton. “Ainda assim, a vida deve seguir em frente, e devemos encontrar uma maneira de nos reconciliar com o que perdemos e com a dor que faz parte do processo de deixar ir e seguir em frente.
O documentário
Além das apresentações musicais em Montreal e Toronto, os Lusitanian Ghosts também estreiam seu filme homônimo.
O projeto do documentário criado pela banda explora a importância histórica dos cordofones, instrumentos medievais que quase foram extintos. Eles são, de fato, os verdadeiros “fantasmas lusitanos”, representando uma herança cultural perdida. Lusitânia era uma antiga tribo celta que ocupava o território central de Portugal.
O filme fará sua estreia na América do Norte no dia 14 de fevereiro, às 9:30pm, como parte da “Celebração: Discover The Sounds of Portugal”, um evento de 6 dias de música e cinema, apresentando ao vivo artistas vindos de Portugal. A série é apresentada pela Why Portugal e Starvox Entertainment.
A formação dos Lusitanian Ghosts
Lusitanian Ghosts foi uma colaboração criativa entre Neil Leyton, que também é membro fundador da banda indie art rock de Toronto, The Conscience Pilate, e Micke Ghost. A dupla formou os Lusitanian Ghosts quando Leyton levou uma viola amarantina de Lisboa para Estocolmo. Leyton então decidiu criar um álbum experimental misturando os diversos cordofones regionais lusitanos com o estilo rock n roll característico da sua carreira de cantor e compositor.
O coletivo se reuniu no Canoa Studios, em Portugal, com o produtor Ricardo Ferreira, e gravou onze canções, com Leyton no baixo e na viola beiroa, Micke Ghost na amarantina, Vasco Ribeiro Casais, também conhecido como OMIRI, na braguesa e nyckelharpa; O Gajo na viola campaniça; e Abel Beja, do Primitive Reason, na viola terceira. Na ausência de Lil’ Ghost, que se juntaria mais tarde, Ricardo também tocou a viola toeira, totalizando seis cordofones regionais neste disco único.
Seu segundo álbum, Exotic Quixotic, foi gravado em fita analógica no Clouds Hill Studios, em Hamburgo, e lançado digitalmente no final de 2021. O terceiro álbum, Lusitanian Ghosts III, lançado em setembro de 2023, foi gravado em fita de 24 faixas 2″, também no Clouds Hill Studio, pelo engenheiro Sebastian Muxfeldt. As mixagens finais, feitas em formatos estéreo e mono, foram masterizadas no Soundgarden Tonstudio por Chris von Rautenkranz, garantindo que as gravações mantivessem sua essência crua e analógica.
Agora é a vez de conferir a banda ao vivo!
Ingressos para assistir ao show do Lusitanian Ghosts (dia 25, às 9:30pm), visite o WEBSITE do “Celebração: Discover The Sounds of Portugal”.
Agradecimento a Victoria Lord.
Deixe uma resposta