Setembro Amarelo: Como vai você?
Débora Corsi é administradora
O “Setembro Amarelo” é um movimento dedicado à conscientização e prevenção do suicídio, cuja origem remonta à triste história de Mike Emme, um jovem americano de 17 anos que tirou a própria vida em 1994. Conhecido como “Mustang Mike” por ter restaurado um Mustang 68 e pintado-o de amarelo, Mike enfrentava problemas psicológicos que passaram despercebidos por seus pais e amigos.
Durante o velório, seus amigos e familiares prepararam cartões adornados com fitas amarelas, contendo a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. Esses cartões foram distribuídos como um gesto de incentivo para que outras pessoas buscassem apoio, caso estivessem enfrentando desafios semelhantes. Essa ação de solidariedade marcou o início de um movimento de conscientização que se expandiu rapidamente, e o laço amarelo tornou-se um símbolo internacional da luta pela prevenção ao suicídio.
Diariamente, começamos o dia encontrando os membros de nossa família. Alguns de nós têm a oportunidade de compartilhar o café da manhã, enquanto outros, na correria, apenas se despedem com a esperança de se reencontrar no final do dia. Nas ruas, cruzamos com pessoas e, de forma quase automática, dizemos: “Olá! Como vai você?” ou “Oi! Tudo bem?”. Esperamos uma resposta rápida, um simples “Tudo bem”, pois é o que também respondemos. Raramente nos damos conta de olhar nos olhos, de perceber a linguagem não verbal, de enxergar além das palavras. No entanto, muitos daqueles que encontramos, mesmo próximos de nós, estão vivendo seus piores dias. A vida acelerada nos levou a perder, inadvertidamente, a sensibilidade. Nossas agendas se tornaram tão preenchidas que não há mais espaço para acolher alguém que necessite apenas de um abraço. Nossa ânsia por conquistas tem nos cegado, a ponto de não conseguirmos perceber a lágrima invisível que escorre do coração de quem amamos. A paciência tem se esgotado tão rapidamente que mal conseguimos parar para ouvir o lamento de quem enfrenta dias amargos.
É urgente que paremos para refletir sobre a qualidade do tempo que dedicamos aos outros. A desculpa de que “não temos tempo para nada” não é justificativa aceitável, especialmente porque, quando a notícia de um falecimento chega, interrompemos tudo para consolar quem perdeu um ente querido. Estamos em setembro, e a campanha contra o suicídio é amplamente discutida em muitos países. No entanto, precisamos nos conscientizar de que o tema exige atenção de janeiro a dezembro. Devemos aprender a pedir socorro quando nosso “mundo” está cinza e desenvolver a sensibilidade necessária para perceber quando alguém próximo a nós está a um passo do suicídio.
Outro ponto importante é o impacto de morar fora do país nativo sem perceber que a saudade pode estar desencadeando uma depressão, o que precisa ser revisto com urgência. Buscar terapia, mesmo que online, é fundamental para reequilibrar as emoções e evitar que o sonho de morar fora do Brasil se transforme em um transtorno grave. Ignorar esses sinais pode levar a consequências sérias, incluindo a perda da vida.
O “Setembro Amarelo” busca dar visibilidade a essa causa, promover a empatia e incentivar a busca por ajuda profissional e o apoio emocional para aqueles que enfrentam momentos difíceis. Espalhe o amor, pois sua vida tem valor.
Leia também o texto “A morte do outro lado do mundo”, de Sonia Cintra.

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