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É preciso aprender com a História


Sobre um futuro sem fascismo.


Alexandre Dias Ramos é editor

Hitler era um cabo do exército que subiu ao poder com astúcia, senso de oportunidade e, principalmente, um discurso de ódio que prometia o tão desejado “Retorno à Ordem”. Da Inquisição ao Holocausto, passando pela escravidão e o Apartheid, não há na História final feliz para autoritarismos que tentaram aniquilar ou restringir a liberdade de pessoas “diferentes” de um pretenso padrão superior. O resultado foi só desgraça e vergonha.

Para aqueles que valorizam a intolerância, o ódio e a segregação; para aqueles que se incomodam com a cor da pele do outro, com a vida sexual do outro, ou acreditam que sua educação, cultura e posição social te tornam alguém apto a diminuir ou prejudicar outra pessoa, há um candidato perfeito nessas eleições. Se o país vai ficar melhor com ele? Sabemos a resposta.

Cartaz espanhol “El generalíssimo”, criado por Pedrero em 1937, contra o regime de Franco.

Não podemos, claro, diminuir a força da imagem que Bolsonaro exerce; no entanto, apesar de sua índole nazi-brazuca, Bolsonaro é uma espécie de palhaço de côrte, uma figura caricata e completamente fora do mínimo que nosso país necessita. Não tem preparo técnico, não tem educação, tato social, nem respeito pela população. Bolsonaro não tem como ser uma opção.

Bolsonaro dá voz a uma parcela da população que não sente vergonha de seus preconceitos, fundamentados numa moralidade de ocasião (que varia conforme credo, raça e distinção social); são eleitores que não se ajustam à liberdade de expressão, e que desejam um tirano para lhes dizer o que fazer. Seu eleitorado clama por obediência – pressupondo, claro, que serão apenas os outros que terão problemas para obedecê-lo.

Afora as preferências em partidos e candidatos no primeiro turno, o momento agora é delicado e cada voto conta e pode ser uma arma importante para combater alguma possibilidade de um candidato fascista vencer.

É preciso aprender com a História, e não deixar que o Brasil se torne uma triste parte dela.

Detalhe do cartaz espanhol “Las Hordas Fascistas”, criado por Toledo em 1937, contra o regime de Franco.

Sobre Alexandre Dias Ramos (8 artigos)
Alexandre é editor-chefe do Jornal de Toronto, mestre em Sociologia da Cultura pela FE-USP, doutor em História, Teoria e Crítica pela UFRGS, e membro-pesquisador da Universidade de São Paulo. É editor há 20 anos e mora em Toronto, Canadá.

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