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Imigração é sempre um sucesso – para o Canadá


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Foto: Andrew Khoroshavin.

José Francisco Schuster é colunista do Jornal de Toronto

A mentalidade brasileira traz embutido um paternalismo que perpassa todas as classes sociais, indo do pobre, com “o dotô vai me ajudar”, passando pela classe média, com “o cartão do deputado vai te abrir portas”, e chegando aos ricos, com “o pistolão no governo vai me isentar dos impostos”. O potencial imigrante, porém, tem que entender que o Canadá não se comporta como instituição de caridade, tendo compaixão de quem está na miséria do outro lado do mundo: o país é gerido como um negócio. E se John Kennedy dizia “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo seu país”, não estaria de todo errado adaptarmos para “não pergunte o que o país pode lhe dar de dinheiro, pergunte o que você pode dar de dinheiro para seu país”.

Senão, vejamos: para começar, só tem potencial para ser aprovado no difícil processo de imigração quem está disposto a transferir ao Canadá um grande investimento do Brasil, e do seu bolso, na sua formação profissional – uma grande economia para o Canadá, que já pega alguém pronto sem gastar um tostão. Depois, é preciso pagar as taxas de imigração e, para maior tranquilidade, um consultor, colocando mais dinheiro na economia canadense. Um dos itens exigidos no processo é ter uma poupança para se manter, sem ajuda do governo, por meses após a chegada, ou seja, muito mais reais viram dólares.

Foto: Sergi Carretero.

Chegando no Canadá, a primeira providência será providenciar onde morar, e aqui se paga adiantado dois meses de aluguel, que é caríssimo, antes de colocar os pés na casa, exigindo um caminhão de dinheiro. Com a chave, você entra em uma casa vazia, sem um garfo, um travesseiro, um sabonete, nada. Ou seja, compras que você dilui por anos no Brasil têm que ser feitas de uma tacada ao chegar no Canadá, colocando muito dinheiro na economia. Quer um carro? Você pode ter anos como motorista no Brasil, mas para o Canadá é considerado novato, e o seguro obrigatório lhe sairá muito mais do que a própria prestação do carro.

Para completar, a pegadinha: os diplomas que lhe foram exigidos para ser aprovado na imigração quase nada valem no Canadá, e você terá que gastar milhares e milhares de dólares praticamente refazendo seu curso ou buscando uma nova carreira. Se a grana já acabou a essa altura, o Canadá oferece crédito educativo, ou seja, uma grande dívida. Porque se você se recusar a jogar o jogo, provavelmente ficará marginalizado – e frustrado profissionalmente. Se formar, além disso, exige trabalhos voluntários ou estágios muitas vezes não-remunerados, o que vem a ser mão-de-obra gratuita para o país, para não usar um termo mais forte. Só após a graduação, enfim, você terá chances significativas no mercado de trabalho e começará, lentamente, a recuperar o imenso investimento feito. Seu futuro ainda pode ser incerto, mas, com todos estes gastos, o do Canadá já está garantido.

Sobre José Francisco Schuster (15 artigos)
Com mais de 35 anos de experiência como jornalista, Schuster atuou em grandes jornais, revistas, emissoras de rádio e TV no Brasil. Foi, durante 8 anos, âncora do programa "Fala, Brasil", e agora produz e apresenta o programa "Noites da CHIN - Brasil", na CHIN Radio.

2 comentários em Imigração é sempre um sucesso – para o Canadá

  1. Concordo em gênero, número e grau 👏👍

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  2. Muito boa Schuster!

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