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Filme da semana!


Steven Spielberg traz em “Ready Player One” um equilíbrio perfeito entre tecnologia, realidade e entretenimento.


Leandro Calado é jornalista pela Universidade Federal de Sergipe e colunista do Jornal de Toronto

Não dá para falar da história do cinema sem citar Steven Spielberg. O diretor vencedor de centenas de prêmios – incluindo 3 Oscar – foi responsável por inúmeros clássicos da indústria cinematográfica. Jaws (1975), Raiders of The Lost Ark (1981), E.T. The Extra-Terrestrial (1982) e Jurassic Park (1993) são alguns notórios títulos que Steven carrega em seu admirável currículo. Nostalgia é um sentimento bastante presente, ao citar Spielberg, e isto reflete diretamente no seu mais recente trabalho, a adaptação cinematográfica do livro Ready Player One, de Ernest Cline.

A trama acontece em 2044, numa época onde a humanidade, para fugir da precariedade de suas vidas, passa a maior parte no OASIS, um jogo de realidade virtual. Antes de morrer, o criador do OASIS, James Halliday (Mark Rylance), escondeu três chaves em partes diferentes da plataforma e anunciou que o primeiro jogador que as encontrasse seria o novo dono da franquia e consequentemente herdaria toda a sua fortuna. Wade Watts (Tye Sheridan) é um entusiasta do jogo e admirador de Halliday e, através do seu avatar Parzival, entra numa jornada para desvendar o mistério da localização das três chaves e se tornar o jogador número um do OASIS.

Ready Player One possui uma narrativa que se assemelha muito à fórmula utilizada em Willy Wonka and The Chocolate Factory (1971) e, assim como o clássico de Mel Stuart, o desfecho é previsível e por isto aposta em doses altas de entretenimento nos meios que levam o protagonista até o final. O longa-metragem brinca bastante com o conceito de easter eggs – referências escondidas na obra com a intenção de agradar fãs. É possível ver inúmeros personagens de videogames e da cultura pop passeando pelo OASIS. Hello Kitty, Freddy Krueger e Chun-li, da franquia Street Fighter, são algum dos nomes que aparecem despretensiosamente na trama.

O filme também inclui uma atmosfera inspirada nos anos 80, que se justifica muito bem, uma vez que o criador do OASIS teve seus dias gloriosos durante esta época e o protagonista do filme, por ser fã de James, incorporou elementos desta década em sua vida. Os filmes de John Hughes, Stanley Kubrick e as músicas de Duran Duran influenciam os caminhos da narrativa. A mistura do futuro através de tecnologias altamente desenvolvidas com o passado, representado pelos anos 80, funciona muito bem e dá a Ready Player One sua própria identidade.

Steven Spielberg traz em Ready Player One um equilíbrio perfeito entre tecnologia, realidade e, acima de tudo, entretenimento. O OASIS é tão bem executado e convidativo que faz desejar que a plataforma exista na vida real. O filme também provoca o desejo de assistir mais vezes, para pegar todos os easter eggs escondidos durante a trama. O filme está em cartaz nos cinemas de Toronto desde 30 de março.

Sobre Leandro Calado (19 artigos)
Nascido no Rio de Janeiro e nordestino de coração, Leandro Calado é jornalista graduado pela Universidade Federal de Sergipe. Em 2017, trocou o menor estado do Brasil pela imensidão de Toronto. Apaixonado pela sétima arte e cultura pop em geral, escreve semanalmente para a versão online do Jornal de Toronto, onde indica (ou não) filmes para os leitores.

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