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Primeira vez: esqui


Crônicas de uma nova vida no Canadá.

www.bluemountain.ca

Letícia Tórgo é escritora e produtora cultural no Canadá e no Brasil

Ana e Pedro eram as pessoas mais empolgadas com a neve que caía lá fora. Finalmente, eles iriam esquiar pela primeira vez. Depois de pesquisar em alguns blogs, decidiram o destino: Blue Mountain. A montanha ficava há apenas duas horas de casa e o pacote para iniciantes parecia exatamente o que estavam procurando.

Ela organizou (quase) tudo, como de costume. Dentre suas responsabilidades estavam encontrar um hotelzinho fofo, ao menos um lugar legal para jantar e pegar as roupas de esqui emprestadas com os amigos. Ele, por outro lado, ficou de reservar o carro e o tal “pacote iniciante” oferecido pela montanha.

A diversão começou antes mesmo de começarem a viagem, enquanto experimentavam as roupas emprestadas. Ana não se sentia nem um pouco parecida com aquelas meninas lindas, de cabelos compridos e rímel nos olhos das revistas de esporte. Do espelho, ela mais parecia uma criança, toda colorida, pronta para se jogar na neve e fazer anjinhos. Na cabeça dela, não seria uma má ideia.

Pedro, por outro lado, era a segurança em pessoa, ao menos para Ana. Secretamente, ele havia se inscrito em um canal no YouTube onde ensinavam os primeiros passos para quem não sabia esquiar. Como um bom futuro canadense, ele não queria “pagar-mico” já na primeira aula.

Pé na estrada e duas horas depois lá estava ela: uma montanha enorme à frente do casal de esquiadores amadores. Oh, Canadá. Fizeram o check-in no hotel e partiram para a primeira noite romântica no restaurante. Diferente das outras vezes, optaram por uma única garrafa de vinho para não “queimar a largada” no dia seguinte.

Às 6 da manhã o relógio despertou. A roupa já estava separada, mas a sensação de que ou tinha coisa de mais ou de menos os perseguia. Quando saíram do hotel, era tanta roupa que quase não conseguiam se movimentar.

Logo à frente, uma grande faixa dançando ao vento disparou uma bela dose de adrenalina na corrente sanguínea de Ana: Ski School. Chegou a hora da verdade. O professor se apresentou e lá foram eles experimentar botas, esquis, bastões, capacete e óculos. Agora sim, oficialmente, duas crianças. Eles riam tanto da situação que nem perceberam que já haviam perdido vinte minutos de uma hora e trinta de aula. E ainda nem tinham colocado os esquis na neve.

Depois da aula, que consumiu grande parte da energia do casal, eles ainda puderam aproveitar o equipamento alugado por mais algumas horas. O cansaço era grande e Pedro achou mais prudente não subir a montanha, já que, para Ana, a área onde acontecia a aula já era “íngreme demais” para iniciantes.

No fim do dia e com uma dorzinha ali outra aqui, era hora de comemorar. Finalmente poderiam curtir a noite juntos e conversar sobre aquela experiência sem se preocupar com o despertador no dia seguinte, mas o cochilo no hotel depois do banho foi mais longo que o previsto e eles só acordaram no meio da madrugada.

Enquanto Pedro ligava para a recepção para pedir qualquer coisa para comer, Ana catava na mala a nécessaire de primeiros socorros que ela sempre trazia em viagens como esta. Naquela noite, eles trocaram, felizes da vida, o vinho pelo Dorflex.

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