Aos que estão chegando

Lamento a esculhambação com que encontram esse planetinha, parece aquelas visitas que chegam de surpresa e encontram tudo de pernas para o ar

Foto: Suchart Sriwichai.

José Francisco Schuster é colunista do Jornal de Toronto

Em nome da humanidade, dou as boas-vindas aos que chegaram nos últimos tempos, especialmente aos que resolveram nascer neste louco 2020. Lamento a esculhambação com que encontram esse planetinha, parece aquelas visitas que chegam de surpresa e encontram tudo de pernas para o ar. Com a pandemia, ainda pior.

O problema, eu sei, é muito mais antigo. Dizem que errar uma vez é humano, mas persistir no erro é burrice. Mas parece que ninguém nunca deu muita bola pra isso. Eu sei que vocês, que sequer entraram na escola, apontariam que, com o horror que foram duas grandes guerras mundiais, que quase acabaram com o mundo, se teria aprendido a lição de que é preciso viver em paz. Contudo, nem havia baixado a poeira ainda da Segunda Guerra é já se meteram na Guerra da Coreia e na Guerra do Vietnam. Dá pra acreditar?

No Brasil, que aguentou por 21 anos uma ditadura militar e onde se falava “ditadura nunca mais”, hoje, em pleno século 21, há gente que defenda a ditadura. Não sei nem onde enfiar minha cara ao dar essa notícia para vocês. E não é só isso: vocês vão encontrar um mundo racista, homofóbico, xenofóbico, preconceituoso e mais uma lista na qual não quero me alongar para não os assustar muito de saída. Imaginem que, em plena pandemia, exista gente contra a ciência, cortando os investimentos em pesquisa, e contra as vacinas. Isso mesmo, as vacinas que aumentaram em muito a expectativa de vida de cada ser humano.

Como podemos ser tão burros, né? Me desculpem. E ainda não acabei. Querem botar abaixo a Amazônia, aquela que minhas professoras do ensino fundamental diziam que era o orgulho do Brasil. No mundo inteiro, ninguém proibiu ainda a fabricação de produtos de tabaco, que não servem para nada, além de dar câncer, mas que rendem muitos impostos para os governos. E apesar do aquecimento global, continuam fabricando cada vez mais automóveis – não proibiram sequer os beberrões de gasolina, justamente os que mais podem causar acidentes porque são os que atingem velocidades mais altas.

Muitos parecem não querer abrir os olhos, apesar de todas as evidências. E assim, ainda neste ano, perdemos as eleições nas prefeituras de São Paulo, Porto Alegre, Recife e outras. Mas não me chamem de pessimista: como dizia Raul, “não pensem que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida”. Nas cidades que mencionei acima, na verdade perdemos por pouco. E ganhamos em Belém, por exemplo. E neste 2020 tivemos a grande vitória de conseguir tirar o Trump, apesar de que suamos frio para isso.

Sabemos muito bem que precisamos viver em paz, como irmãos, nesse mundo. Não é novidade nenhuma: já diziam os pensadores gregos, já diz há dois mil anos a Bíblia, já diziam filósofos orientais, ao que se seguiram os ocidentais. Conhecemos a lição, só falta praticar. “Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão. Para construir a vida nova, vamos precisar de muito amor”, diz Beto Guedes. “A vida é bela, só nos resta viver”, cantou Angela Ro Ro. Por isso, como fala Gonzaguinha, “Eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida! É bonita e é bonita!”. Uma feliz vida a todos vocês! Beijos com carinho!

Sobre José Francisco Schuster (46 artigos)
Com quase 40 anos de experiência como jornalista, Schuster atuou em grandes jornais, revistas, emissoras de rádio e TV no Brasil. Ao longo dos últimos 10 anos, tem produzido programas de rádio para a comunidade brasileira no Canadá, como o "Fala, Brasil" e o "Noites da CHIN - Brasil". Schuster agora comanda o programa "Fala Toronto", nos estúdios do Jornal de Toronto.

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