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O estado de emergência climática


Apesar do Canadá ser elogiado pela sua diplomacia climática internacional, ainda configura entre os países com maiores emissões de gases de efeito estufa.


Camila Garcia é colunista do Jornal de Toronto

Há 30 anos, pela primeira vez, os impactos potencialmente negativos da emissão de gás carbônico proveniente da queima de combustíveis fósseis e dos incêndios nas florestas tropicais foram notícia de capa de um jornal. De lá para cá, a ciência evolui em provar como as mudanças climáticas afetam a vida humana e são um risco para o nosso futuro enquanto humanidade. Entretanto, poucas ações concretas foram realizadas e algumas medidas ainda encontram grande resistência entre políticos e membros da sociedade.

O Environment and Climate Change Canada recentemente apresentou ao público um extenso relatório (www.changingclimate.ca) explorando todas as mudanças que o Canadá vem sofrendo ao longo dos anos e projetando como elas podem influenciar daqui em diante. Desde incêndios nas florestas, as últimas enchentes em Ottawa, até as ondas de calor e secas, a temperatura no Canadá está subindo duas vezes mais rápido que a média global. Na região norte, a situação é agravada com a média de aquecimento três vezes maior que o resto do mundo.

A mudança climática – ou como o próprio jornal The Guardian atualmente atualizou no seu vocabulário diretriz como “estado de emergência climática” – será um dos protagonistas nas eleições federais canadenses em outubro deste ano. É claro que a ação para impedir que sejamos extintos do planeta Terra passa pela política e pelo estilo de governar de cada partido. As ideias de exploração do meio ambiente para benefício apenas econômico do país ou do estado devem ser revisadas e atualizadas, e o mundo alerta que isso deve ocorrer o mais rápido possível. Já passamos do tempo onde aquecimento global era papo do futuro.

O próprio Banco do Canadá já demonstrou que as consequências das mudanças climáticas ferem a economia e o sistema financeiro do país. O mais contraditório disso tudo é que o Canadá, apesar de elogiado pela sua diplomacia climática internacional, ainda configura entre os países com maiores emissões de gases de efeito estufa, tanto em termos absolutos quanto per capita. Um número muito alto para sua pouca população.

Enquanto a geleira derrete, os nossos principais governantes gastam dinheiro público em uma disputa legal sobre a taxa de carbono, ou cortam benefícios oferecidos aos proprietários que buscavam equipamento ecológicos e luz solar para suas casas, ou ainda o incentivo para adquirir carros elétricos e implementar estações de recarga nas estadas.

Por outro lado, de nada adianta cobrarmos soluções das mãos dos governantes se nós, como cidadãos, não mudarmos nossos hábitos e costumes. A nossa bolha precisa estourar, e precisamos aprender que dividimos essa terra com uma diversidade de outros animais e vegetais, e que cada ser tem uma importante função para manter o equilíbrio. Também está na hora de entendermos que o nosso bolso irá pagar mais caro pela inconsequência de anos. Isso tudo, claro, se desejamos um futuro para nossa espécie; afinal, nós precisamos mais do planeta Terra do que vice-versa.

Sobre Camila Garcia (9 artigos)
Camila é paulista e já trabalhou com teatro, rádio, televisão e jornalismo. Sempre de olho no universo político, adora trocar suas impressões com os mais chegados, e agora com os leitores do Jornal de Toronto. Atualmente é apresentadora do programa de televisão Focus Portuguese, todos os sábados e domingos, na OMNI TV.

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