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Movimento antivacina: de onde vem a dúvida?


Até o começo dos anos 90, não existia polêmica em torno da vacina.


Erika Sendra Tavares é cientista no SickKids Toronto

Até o começo dos anos 90, não existia polêmica em torno da vacina. A imunização universal reduziu a incidência de inúmeras doenças, como sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche e tétano. Além disso, a humanidade se livrou de doenças extremamente debilitantes, como a varíola, e reduziu drasticamente outras, como a poliomielite. A varíola, entre outros sintomas, causava erupções dolorosas na pela e levava a óbito mais de 30% dos portadores. Muitos sobreviventes sofriam sequelas permanentes, como cicatrizes e cegueira. A poliomielite (pólio) também extremamente epidêmica, causa inflamação do tecido nervoso, podendo causar danos permanentes, como paralisia. Desde o desenvolvimento da vacina, o número de casos caiu de centenas de milhares para menos de mil, mas não foi completamente erradicada ainda.

Recentemente, pessoas têm tido receio de vacinar seus filhos por conta de informações erradas encontradas em websites, sugerindo associação de vacinas com desordens neurológicas, alergias e outros males. Apesar dessas fontes não terem embasamento de dados científicos, são montadas para criar ilusões causativas, recheadas de relatos pessoais sugerindo que vacinação precedeu problemas sérios em crianças. A retórica é reforçada por textos e vídeos de falsos especialistas ou doutores, que estimulam a sensação de conspiração em relação à indústria farmacêutica e equivocadas percepções de que se é natural é melhor, incluindo infecções por bactérias e vírus. Muitos pais que, de fato, estão preocupados com a saúde dos filhos e têm dúvidas em relação à vacina entram em contato com essas informações e são convencidos. Esses, por sua vez, intensificam ainda mais o problema através das redes sociais.

Enquanto isso, a incidência de sarampo em países onde não havia mais relato está voltando. Uma em cada 1000 pessoas com sarampo desenvolve dano cerebral permanente. Em 2017, a Organização Mundial de Saúde registrou cerca de 110.000 mortes por conta do sarampo. Recém-nascidos, pessoas alérgicas a componentes das vacinas e portadores de doenças que afetam o sistema imune (leucemia, por exemplo) não têm o benefício direto da imunização, mas são protegidos indiretamente quando a grande maioria da população é vacinada. Com muitas pessoas optando por não vacinar, epidemias podem se espalhar rápido, principalmente nesses grupos vulneráveis.

Poucas coisas devem causar mais arrependimento para os pais do que perder uma criança por uma doença possível de prevenir.

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