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A oposição a Jair Bolsonaro ganha força de diferentes grupos sociais


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Fotografia apresentada na exposição Meanderings, inflections, and Angry Camels, do artista brasileiro Gustavo Chams, realizada no The Fields Exhibition and Project Space, em Vancouver, em outubro de 2018.

 

André Oliveira é doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco

Rodolfo Marques é doutor em Ciência Política pela UFRGS e professor-adjunto da Universidade da Amazônia

Com a confirmação da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais e com os primeiros passos do governo de transição, as forças políticas e ideológicas brasileiras passam por um processo de reorganização, tanto no apoio ao grupo liderado pelo presidente eleito, como também nas chamadas forças de oposição. Ambos os grupos apresentam uma composição heterogênea, com diversos grupos e interesses distintos.

A vitória de Jair Bolsonaro – incontestável, mas não tão avassaladora como se imaginava – trouxe grandes consequências que já podem ser visualizadas. A despeito de uma clara onda conservadora, tanto no Congresso Nacional e em vários estados, com a ascensão de partidos como o PSL e o PSC, houve o surgimento e o crescimento de vários movimentos, alguns sem organicidade, contrários ao governo eleito e que pretendem se tornar forças de resistência.

Dentro desse contexto de oposição, o primeiro ponto a ser destacado dentro desse cenário é a (real) força do PT. Fernando Haddad e seu partido tiveram mais de 40 milhões de votos (vencendo em 11 estados) e, apesar da derrota e grande movimento antipetista predominante no país, a agremiação conseguiu fazer a maior bancada da Câmara Federal (57 deputados) e quatro governos estaduais, fortalecendo suas ações no Nordeste. O movimento “vira-voto pela democracia e contra o fascismo”, ocorrido às vésperas da eleição, mesmo sem organização ou liderança do PT, é um dado representativo desse processo. O modo como o PT vai funcionar neste novo cenário de oposição efetiva será um grande desafio que envolverá a capacidade de se reconectar com as classes populares de todas as regiões do país, considerando-se o fato de que, no Nordeste, o partido continua bem consolidado.

Há, no campo partidário, também a mobilização de grupos de esquerda buscando lideranças fora do partido. Alguns candidatos derrotados no pleito presidencial, como Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), buscam homogeneizar essas forças, assim como, dentro do PSDB, busca-se uma opção dentro do centro político, com lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) também busca mais espaços, ainda mais com o crescimento de mais de 100% de sua bancada na Câmara dos Deputados.

Dentro da sociedade civil organizada, vários movimentos vêm crescendo na oposição ao presidente eleito. O movimento antifascista, pró-democracia e defensor das minorias, como os grupos LGBTs e as organizações feministas, fortalecem tal processo de luta. Um dos slogans desses agrupamentos é “Ninguém solta a mão de ninguém”, dentro da perspectiva de que é necessário fortalecer as conquistas feitas e buscar a consolidação da jovem democracia brasileira. Um argumento utilizado é o de que, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 61% dos eleitores brasileiros não escolheram Jair Bolsonaro, ao votar em branco, nulo, em Fernando Haddad ou não comparecendo às urnas no mês de outubro de 2018.

E um espaço em que se desenvolve uma força de resistência é o das universidades, que historicamente têm um pensamento ideológico mais alinhado com os movimentos sociais, ações de esquerda e situado no campo progressista. E um outro polo importante também são as ações de grupos na internet – em mídias e redes sociais.

A formação do governo Bolsonaro parece indicar que a segurança será entregue aos militares, que retornam a um certo protagonismo político, a economia aos Chicago Old Men sob o comando de Paulo Guedes, e o combate à corrupção ao controvertido Sérgio Moro. A julgar pelos últimos resultados das eleições norte-americanas que apontaram avanço das minorias nacionais, o governo Bolsonaro, se não apresentar rapidamente resultados expressivos na economia e segurança, pode ver sua popularidade ser corroída em curto prazo. A oposição, mesmo heterogênea, estará vigilante em todos os passos do novo governo, apontando falhas e buscando correções de rota.

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2 comentários em A oposição a Jair Bolsonaro ganha força de diferentes grupos sociais

  1. O que me preocupa na formação desse governo é o modo “demência”. Entre o ‘marxismo cultural’ (sabe lá qual a conceituação?), a terra plana, um Ministro da CT que vai a reuniões vestido de astronauta, um Ministro de Relações Exteriores que acha que Marx influenciou a Revolução Francesa, uma Ministra Pastora que vê Jesus num pé de goiabeira, um Ministro que recebe Caixa 2 (ou propina) e pede desculpas, e o Deus Moro que agora foge dos holofotes por que não vem ao caso, e o próprio Bolsollini que defende a informalidade como regulação de meercado, chega-se aa conclusão de que a ‘demência’ é critério de escolha para ser gestor. Isso que não falei do Colombiano Ortodoxo. Bom, enfim, um balaio de gatos “from hell”. E lá vai o Brasil descendo a ladeira. Muito triste.

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  2. A onda do governo conservador-imbecil (sim, há conservadores inteligentes mas não foram escolhidos) inicada pelo Trump não só atingiu o Brasil como também a nossa querida Ontario com o governo do Doug Ford.

    Assim como o Trump não deve passar desse mandato, nenhum dos outros dois governos vai muito longe tampouco. É manter uma Oposição forte para os estragos não serem grandes.

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