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Lições pós-Copa


E lá se foi mais uma Copa, e que Copa interessante.

Foto: Tasnim News Agency.

Cristiano de Oliveira é colunista do Jornal de Toronto

E lá se foi mais uma Copa, e que Copa interessante. Além das novidades na competição e das surpresas quando a bola rolou, ainda vimos a Copa levantar questões políticas e sociais por todos lados. Tá vendo como é possível assoviar e chupar cana ao mesmo tempo? Não é preciso esquecer as mazelas do mundo e se alienar durante a Copa. E, além de tudo, enquanto brasileiros, ainda pudemos tirar valiosas lições, a saber:

• Em seu desespero louco de copiar estrangeiros, o brasileiro mais uma vez enfia os pés pelas mãos e copia o que não presta. Pois o time inteiro resolveu copiar a cintura dura e a tristeza da maioria dos times do hemisfério norte. Uma seleção apática, sem criatividade, acanhada e com cara de quem tirou a calça no meio do clube pensando que estava com short de banho por baixo. Se bem que meu pai fez isso uma vez e ficou rindo dele mesmo, coisa que essa Seleção deveria ter feito, ao invés de entrar em campo com os 7 a 1 escrito na testa e a cabeça baixa que aquele placar nos proporciona desde 2014. Assim sendo, com base nos meus experimentos antropológicos de infância, concluo que a solução é: a equipe brasileira precisa reencontrar jogadores capazes de manter a classe ao andar de cueca em locais públicos.

• Sempre achei que a Seleção não me representava, por não ter jogadores que a gente vê no Campeonato Brasileiro durante o ano. Com a Copa, essa sensação passou: a quantidade de passes errados da Seleção fez com que eu me sentisse em casa, parecia que eu estava assistindo a Atlético x Cruzeiro.

• Mais do que fazer absolutamente nada na Copa, Neymar ainda queimou o nosso filme, especialmente pra nós que moramos fora. Zoeira de gringo em cima do cai-cai não é restrita ao Neymar ou ao time. É sempre “you Brazilians”. “Por que you Brazilians tão sempre rolando no chão e coisa e tal…?” Meu irmão, eu não tenho nada com isso não! Você quer que eu responda o quê? Que é virose? Que a gente aprende isso com os macacos que moram com a gente na árvore? Ou que é tradição tribal passada de pajé pra pajé? Tô tão indignado como todo mundo ao ver a outrora tão temida camisa 10 hoje rolando no chão e sendo motivo de riso. Eu entendo que o jogador habilidoso sempre apanha muito e isso é frustrante, mas não é fazendo performance do Grupo Corpo que você resolve o problema. Portanto, pra saber de molecagem de Neymar, vá perguntar a Neymar, porque eu tenho ponto pra bater às 8:30am.

• Em 2026 a Copa está vindo pra cá, e os torcedores safados sem-vergonha que agarram as repórteres e sacaneiam as mulheres locais vão vir também. Se caírem no seu quintal, não jogue água não que é perigoso eles se multiplicarem. Mas pode alimentar depois de meia-noite, vai que eles se transformam em algum bicho um pouco menos repugnante.

Mas acabou. Acabou Messi, Cristiano Ronaldo, Cavani e cia. Fala a verdade: seus olhos não chegaram a arder ao assistir futebol após a Copa não? Os meus eram jalapeño puro.

Adeus, cinco letras que choram.

Sobre Cristiano de Oliveira (15 artigos)
Cristiano é mineiro, atleticano de passar mal, formado em Ciência da Computação no Brasil e pós-graduado em Marketing Management no Canadá. Foi colunista do jornal Brasil News por 12 anos. É um grande cronista do samba e das letras.

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