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O hábito de poupar


Não é fácil começar a poupar. Requer tempo, organização, controle, vontade e criação de novos hábitos.

Foto: Steve Buissinne.

Alexandre Rocha é colunista do Jornal de Toronto

Eu sei que não é fácil começar a poupar. Requer tempo, organização, controle, vontade, mudança de crenças e criação de novos hábitos. Neste mundo rápido e líquido, tudo é para ontem! Quando se fala em poupar, há um conflito de escolha entre o imediato e o futuro.

Um dos meus economistas preferidos, Eduardo Gianetti, trata exatamente deste tema em seu livro O Valor do Amanhã. Para Gianetti, “a vida é breve, os dias se devoram e nossas capacidades são ilimitadas. A cada passo da jornada, com maior ou menor ciência e grau de deliberação, escolhas têm de ser feitas. O que valeria a pena escolher – colocar mais vida em nossos anos ou (quiçá) mais anos em nossas vidas? (…) Até que ponto vale a pena subordinar o presente ao futuro ou vice-versa? (…) Juros são o prêmio da espera na ponta credora e o preço da impaciência na ponta devedora”.

O fato é que você não precisa entrar nesta eterna luta entre o hoje e o amanhã. Poupar pode e deve se tornar um hábito bem equilibrado. Com atitudes simples, você pode colocar em prática e incorporar esse novo hábito sem ter aquela sensação de privação do presente. Inicie esta mudança com disciplina e deixe o tempo fazer o resto. Vamos começar a criar o hábito de poupar?

1) Investimentos automáticos

O banco possui produtos com aplicação e resgate automáticos. Todo o dinheiro que entra na sua conta corrente pode ir diretamente para estes investimentos automáticos. Não deixe dinheiro parado na conta corrente.

2) Despesas e receitas

Se você não conhece as suas despesas e receitas, não vai conseguir poupar. Saiba exatamente o quanto ganha (bruto e líquido). Divida as suas despesas em duas categorias: recorrentes e não recorrentes. Sobra ou falta dinheiro? Tenha sempre este número com você.

3) Custos

Saiba quais são os seus custos e quais os fatores que influenciam a sua vida financeira. Analise e veja se tem um custo de vida alto ou baixo.

4) Separando o valor para poupar

E aí, sobrou dindin? Depois de passar pelos três pontos anteriores e no final do mês não sobrar nada, você terá que reavaliar as suas despesas e os seus custos. Não quer reavaliar? Então vai ter que arrumar uma renda extra. É matemática e a conta é de “mais e menos”:

Poupar = Salário – Despesas – Custos

Sobrou? Determine o quanto vai poupar no mês. Exemplo: vou separar mensalmente 10% do meu salário para poupar.

5) Investimento com carência

Se depois de tudo isso você ainda tiver dificuldades em poupar, experimente aplicar em um investimento com carência. Assim, você não vai mexer no dinheiro. Com o tempo, e conforme o montante for aumentando e saindo da carência, você vai diversificando os investimentos.

Depois que já tiver o hábito de poupar incorporado à sua vida, sugiro que a cada trimestre reavalie os passos. Coloque um alerta no celular. Veja como você poderá otimizar as despesas e tente aumentar a sua poupança. “Os juros compostos são a oitava maravilha do mundo”, disse uma vez Albert Einstein.

Bora poupar?

À tantôt.

Sobre Alexandre Rocha (7 artigos)
Alexandre Rocha é trader nos mercados futuros do Brasil, EUA e consultor financeiro independente. Em 2014, deixou o Banco do Brasil para fundar a consultoria Aletinvest. Se formou em economia pela UCAM-RJ e é mestre em Études Internationales pela Université de Montréal. Atualmente mora em Montreal, mas é apaixonado por Toronto. _ www.aletinvest.com

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