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As duas metades do Canadá, sob um outro ponto de vista


Indo para o norte, é mais frio e inabitado. Mas como é essa distribuição?


Alexandre Dias Ramos é editor

Em extensão territorial, o Canadá é o segundo maior país do mundo, perdendo apenas para a Rússia – só por curiosidade, o Brasil é o quinto –; por outro lado, o Canadá é um país com um número pequeno de habitantes, apenas 35 milhões (para se ter uma ideia, o estado de São Paulo tem cerca de 45 milhões). Sabemos que as pessoas estão mais concentradas nas cidades de Toronto, Montreal e Vancouver, e que conforme vamos indo para o norte, não apenas é (muuuito!!) mais frio, como também mais inabitado. Mas como é essa distribuição?

Este mapa do Canadá mostra uma pequena linha branca desenhada bem ao sul do país. A linha, na altura do Paralelo 46, atravessa quatro províncias, cortando o sul de Ontário, Quebec e Nova Brunswick, além de toda a província de Nova Escócia. Por incrível que pareça, o que a linha faz é dividir o Canadá em duas metades perfeitas: 50% dos 35 milhões de habitantes vivem ao sul da linha e 50% ao norte dela. Abaixo, é onde está Montreal, Ottawa, Toronto e Halifax, ou seja, algumas das principais cidades do país. As vastas extensões de terra ao norte da linha estão, essencialmente, vazias.

As três regiões mais ao norte do Canadá (Yukon, Territórios do Norte e Nunavut) cobrem cerca de 40% da área total do país, mas contam com apenas 113 mil pessoas (0,3% do total da população do país). Ao todo, 90% dos canadenses vivem a 160 quilômetros da fronteira com os EUA.

Bom, faz de conta que terminei a matéria no parágrafo anterior. Mas, só para não deixar passar…

É dizer que, se TODOS os cerca de 470 mil aplicantes para visto permanente, somados a TODOS os cerca de 22,5 milhões de refugiados que existem hoje no planeta, fossem aceitos pelo governo canadense, ainda assim o país seria relativamente vazio. Além da tal linha ser curiosa, ela pode também nos mostrar, sem dúvida, muitos outros pontos de vista.

Sobre Alexandre Dias Ramos (7 artigos)
Alexandre é editor-chefe do Jornal de Toronto, mestre em Sociologia da Cultura pela FE-USP, doutor em História, Teoria e Crítica pela UFRGS, e membro-pesquisador da Universidade de São Paulo. É editor há 20 anos e mora em Toronto, Canadá.

3 comentários em As duas metades do Canadá, sob um outro ponto de vista

  1. Se as regras nao fossem tao rigidas eu migraria

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  2. Alexandre, muito bom esse seu jornal. Parabéns. Conheci uma edição impressa no ano passado, mas nesta noite de insônia inspirada estou podendo ler vários artigos e estou gostando muito de tudo que tenho lido. Parabéns mais uma vez!

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