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Índio não fala Tupi


São faladas hoje no Brasil entre 150 e 180 línguas indígenas.

Nos arredores de Manaus, índio Tukano de origem de São Gabriel da Cachoeira. Foto: Camila Boehm _ OBORÉ Projeto Repórter do Futuro.

Suzi Lima é professora na UofT e na UFRJ

Ao falar da questão indígena no Brasil, é importante chamar a atenção para a diversidade linguística (e cultural) do país: são faladas hoje no Brasil entre 150 e 180 línguas indígenas, que não necessariamente assemelham-se entre si: por exemplo, a língua Kuikuro é bastante diferente da língua Yudja, da mesma forma que o japonês é diferente do português.

Para grande parte da população brasileira não-indígena, os povos indígenas fazem parte do passado: muitos associam os povos indígenas apenas aos habitantes do Brasil em 1500. Seja através de representações romantizadas da literatura (como Iracema e O Guarani) ou representações pejorativas e caricatas na mídia, diversos tipos de equívocos se propagaram e continuam presentes no imaginário de grande parte da sociedade brasileira.

Felizmente, cada vez mais temos acesso a produções científicas e culturais realizadas por pesquisadores não-indígenas e indígenas que nos ajudam a entender um pouco melhor a complexidade linguística e cultural do Brasil. Cito aqui dois exemplos: as ONGs Vídeo nas Aldeias e Catitu oferecem treinamento para cineastas indígenas, os quais, por sua vez, já produziram diversos filmes que estão disponíveis online; em algumas universidades brasileiras, pesquisadores indígenas já realizaram (e continuam realizando) seus estudos de mestrado e doutorado. Estes exemplos podem ajudar a ilustrar a realidade dos povos indígenas que muitos desconhecem: a diversidade linguística, a riqueza e diversidade das culturas tradicionais e os desafios enfrentados por eles.

Em momentos em que os grupos étnicos minoritários são muitas vezes ignorados e massacrados (o trágico genocídio em curso dos Guarani Kaiowá exposto no recém-lançado filme Martírio é um exemplo disso), é importante procurar conhecer a diversidade linguístico-cultural do Brasil e propagá-la para que o preconceito contra minoridades não se perpetue. 

 

* O título desse artigo é também o título de um livro em preparação que está sendo organizado pela professora Dra. Bruna Franchetto (Museu Nacional/UFRJ) que procura apresentar para o grande público algumas questões relacionadas aos povos indígenas.

 

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  1. Professor Suzi Lima in the Jornal de Toronto on Brazilian Languages – Portuguese Program

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