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Carnaval de brasileiros para brasileiros


A energia verde e amarelo dominou 25 quarteirões de NY: sorrisos, emoção e orgulho de ser brasileiro.

Show de Claudia Leitte no Brazilian Day, em Nova Iorque. Foto: Darren Bourne.

Luiza Sobral é jornalista, correspondente do Jornal de Toronto no #BRDayNY

“Quem faz a festa é a comunidade”, disse João de Matos, fundador do Brazilian Day em Nova Iorque, na coletiva de imprensa do evento. Há 33 anos, Matos resolveu celebrar a Independência do Brasil fazendo uma festinha de rua na Little Brazil, que é o quarteirão da rua 46th entre a 5a e a 6a Avenidas. Esse ano, em 3 de setembro de 2017, essa “festinha” reuniu 1 milhão e meio de pessoas e se transformou no maior festival comunitário de Manhattan.

Hoje também chamado de BR Day, a festa continua sendo feita por brasileiros e para os brasileiros. Claudia Leitte disse sentir gratidão por estar servindo ao seu público. “Brasileiro quando mistura a energia que tem, que é natural, com esse sentimento único nosso que é a saudade, dá em carnaval”, completou.

Foi mesmo um verdadeiro carnaval fora de época para os brasileiros expatriados. A energia verde e amarelo dominou 25 quarteirões: os sorrisos nos rostos, a camaradagem, a emoção e o orgulho de ser brasileiro. O orgulho que nunca nos abandona, apesar das coisas que acontecem no Brasil e nos dão vergonha.

Otaviano Costa abriu o show falando de amor, e até se arriscou cantando Jota Quest. “O amor é o calor que aquece a alma” – a letra da música fez sentido, mas digamos que o público prefere que o Costa continue apenas como apresentador queridinho do festival. “Ele canta muito ruim”, disse um dos espectadores.

Pois sim, o brasileiro adora o amor. Mas tem aquele 1% que é “vagabundo e elas gostam”; e foi com esse sucesso que o Marcus & Belutti começaram a festa. Apesar da dupla sertaneja ter muitos sucessos românticos, como o hit “Domingo de manhã”, eles focaram em animar a festa com baladas mais dançantes.

Foto: Darren Bourne.

Em seguida, entrou o grupo de pagode Sorriso Maroto, que apesar de estar completando 20 anos de estrada, disse que o BR Day é o maior evento de sua carreira. Eles colocaram os brasileiros para sambar, inclusive a apresentadora do Planeta Brasil, Fernanda Pontes, que deu show de samba no palco durante “Assim você mata o papai”. Eles também surpreenderam o público com um convidado especial, o cantor americano Brian McKnight, que fez parceria com o Sorriso na música “Mais Fácil”.

Mas foi mesmo a Claudinha Bagunceira que fez o brasileiro se transportar de Nova Iorque para um trio elétrico baiano. O gringo não deve ter entendido nada quando a multidão começou a pular de um lado para outro, enquanto ela tocava sucessos mais antigos como “Carangueijo”, “Mãozinha” e “Safado, Cachorro, Sem Vergonha”. Apesar de dizer que “o brasileiro pode sair do Brasil, mas o Brasil nunca sai da gente”, ela se arriscou cantando também músicas em espanhol e inglês.

Enquanto a multidão na 6a Avenida pulava e se amontoava em cima um do outro, nas ruas laterais o evento continuava com comida brasileira, muito som de batucada de diversos grupos independentes – e só se ouvia o português

de brasileiros de todas as partes do Brasil, morando nas mais diversas partes dos Estados Unidos. “É muito bom você trazer o seu filho, que nasceu aqui, e mostrar a cultura para ele”, disse Isabelle Sherillo, cearense de St. Louis. O evento contou com caravanas registradas do Texas, de Maryland, de Nova Jersey, e também a caravana de Boston, que nos disse ter ido com três ônibus lotados.

Na área VIP, montada atrás do palco, e por coincidência ao lado de uma agência do TD Bank, o Jornal de Toronto encontrou a Caravana Brazilians-Canadians, que saiu daqui da nossa cidade para festejar com os “Brazilians americanos”. “É um momento de celebrar nosso orgulho de sermos brasileiros”, disse Josivaldo Rodrigues, responsável pela caravana canadense. “Não é qualquer evento que fecha uma avenida para celebrar nossa cultura”. Rodrigues acha que é pre

Brasileiros na 6a Avenida. Foto: Darren Bourne.

ciso união mais ampla entre os brasileiros no Canadá e nos Estados Unidos. Esse ano foi um grupo pequeno, mas ele disse que tem projeto para uma caravana maior para o futuro: “Somos muito bem-vindos aqui. Ano que vem planejo sim aumentar essa caravana. Nós temos muito o que aprender uns com os outros”.

Abelardo Oliveira, que também veio na Caravana Brazilians-Canadians, diz acompanhar o evento há 30 anos, e tenta sempre ir. Ele acha que, devido ao BR Day acontecer durante o Labour Day, um dos últimos feriados do ano, os canadenses estão muitas vezes se organizando para a volta às aulas e o fim do verão, e isso dificulta a viagem. Mas ele diz que vale a pena: “Eu gosto pela harmonia, pela alegria, e por sempre conhecer pessoas novas”.

Então, que tal em 2018 pensarmos em fechar o verão com um carnaval brasileiro em plena Nova Iorque? BR Day 2018, nos vemos lá!

 

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