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Transformações no perfil religioso brasileiro


Os dados do Censo são chave para compreendermos a dinâmica religiosa no Brasil do século XXI

Pessoas reunidas para a 10a edição da Marcha para Jesus (2002), em São Paulo. Foto: Paulo Rossi.

 

Rodrigo Toniol é doutor em antropologia

 

Em pouco mais de dois anos, um novo censo começará a ser realizado no Brasil. A cada década, esses dados apresentam um retrato do país, indicando suas principais transformações demográficas e dando pistas sobre mudanças que poderão se consolidar nos anos seguintes. Entre os itens que estão presentes desde o primeiro Censo, realizado em 1872, e que, portanto, podem ser comparados em um arco histórico que abrange quase um século e meio, está a declaração de pertencimento religioso.

Para os estudiosos do tema, dois dados são percebidos como bastante consolidados. Primeiro, o percentual de católicos no país, embora permaneça entre os maiores do mundo, é cada vez menor. Em 1990 os católicos representavam 82,96% da população, em 2000 reduziram seu percentual para 73,60% e, em 2010, apenas 64,60% dos brasileiros se declararam católicos. Essa diminuição não é recente, pelo contrário, pode ser observada desde a comparação entre os percentuais obtidos em 1872, 1880 e 1890. Talvez a única novidade apontada pelo censo de 2010 seja que, pela primeira vez, não apenas o percentual de católicos diminuiu, como também o número total de fiéis declarados. O segundo dado consolidado do censo religioso brasileiro é que, desde a década de 1970, o percentual de evangélicos têm aumentado exponencialmente. Em 2010, nada menos que 22% da população declarou-se evangélica e, em 2016, uma pesquisa do Datafolha apontou a continuidade desse crescimento e afirmou que esse percentual havia ultrapassado a marca de 29%.

Desenho: Marcelo Monteiro

 

Se esses são dados já conhecidos, entre os pesquisadores a expectativa do próximo censo religioso passa por duas perguntas com respostas ainda incertas. Ainda há espaço para o crescimento dos que se declaram “sem religião”? Essa população, que em 2010 representava 8% dos brasileiros, é formada por ateus, agnósticos e, principalmente, por pessoas que declaram acreditar em Deus ou “numa força superior”, mas, ao mesmo tempo, não se identificam com nenhuma religião. Percentualmente, os sem religião constituem um grupo significativo no Brasil, perdendo apenas para os católicos e para os evangélicos. A segunda incerteza que paira sobre o próximo censo religioso refere-se à distribuição dos evangélicos nas diferentes denominações religiosas existentes. A maior comunidade do país é da Assembleia de Deus, seguida pelas Igreja Batista, Congregação Cristã do Brasil e pela Igreja Universal do Reino de Deus. Dados preliminares apontam para uma reconfiguração deste cenário, o que só poderá ser confirmado em 2020.

Para os analistas, os dados do próximo censo são chave para fazer projeções mais seguras e melhor compreendermos quais serão as marcas da dinâmica religiosa no Brasil do século XXI.

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