O menino que quer ser robô para… andar

Conheça a história emocionante de Elliot, um garoto de 7 anos de Victoria (BC) que sonha em caminhar com a ajuda de um exoesqueleto robótico

Elliot Burns no equipamento Trexo Robotics.

Patricia Romanelli é jornalista

Dar os primeiros passos é um marco esperado por qualquer criança e por toda família. Contudo, para o menino de sorriso largo e luminoso, Elliot Burns, de 7 anos, esse momento só se tornou realidade recentemente, no fim de setembro, quando o adorável garoto testou gratuitamente um andador robótico chamado Trexo Robotics. É que Elliot nasceu com paralisia cerebral e tetraplegia, devido a complicações no parto. De acordo com a mãe de Elliot, Genevieve Parent, o filho enfrenta uma luta pela vida desde quando era um recém-nascido.

“O nascimento de Elliot foi prematuro, urgente e traumático. Ele estava morrendo no útero. Nasceu com 32 semanas, pesando 1 kg e muito frágil, mas surgiu gritando contra todas as probabilidades. Queria sobreviver, tinha um propósito. Ele passou os dois meses seguintes na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), para crescer, aprender a respirar e se alimentar sozinho, sem máquinas”, conta Genevieve.

Ainda de acordo com Genevieve, os médicos investigaram o cérebro do seu filho e os danos que Elliot sofreu foram substanciais. Ele foi diagnosticado precocemente com Leucomalácia Periventricular, o que levou à paralisia cerebral tetraplégica. Parent ressalta que os primeiros dois anos foram muito emocionais e difíceis, repletos de consultas com especialistas, más notícias, luto, terapias de intervenção precoce, dores terríveis e noites sem dormir — ajustando-se e encontrando a força interior para seguir em frente.

No entanto, Genevieve Parent conseguiu ver o seu filho Elliot caminhar alegremente pela primeira vez em 26 de setembro de 2025, graças ao dispositivo supertecnológico Trexo Robotics. Basicamente, o aparelho Trexo funciona como um exoesqueleto acoplado a um andador tradicional, permitindo que a criança reproduza movimentos que imitam a caminhada natural.

“O Trexo também promove reabilitação física, melhora da postura, fortalecimento muscular e mais independência”, explica o representante da empresa situada em Ontário, Marc Robert. Além disso, Marc explica que o aparelho é ajustável tanto no tamanho quanto no nível de suporte oferecido, dependendo de como é configurado. Surpreendentemente, a motivação para desenvolver o Trexo surgiu porque o sobrinho do CEO da empresa nasceu com paralisia cerebral, e ele e um amigo decidiram criar uma forma para que o menino pudesse caminhar.

Marc Robert relatou que, no início, o equipamento se destinava apenas às crianças com paralisia cerebral; no entanto, com o passar dos anos, e com o aprimoramento da tecnologia, o equipamento atualmente consegue atender pessoas (crianças e adultos) em diversas condições que afetam a mobilidade motora, como atrofia muscular espinhal, síndromes genéticas raras, distrofia muscular de Duchenne, síndrome de Rett, lesões cerebrais, entre outras.

“O exoesqueleto robótico foi originalmente desenvolvido para crianças com paralisia cerebral, mas conseguimos expandir o público que ele pode atender — e hoje ele pode ajudar qualquer pessoa com dificuldades de mobilidade que pese até 68 quilos (150 libras), e o uso do equipamento não depende necessariamente da idade. A criança mais nova que atendemos tinha apenas 1 ano”, salienta Marc Robert.

A importância do aparelho robótico na vida de Elliot é incontestável, pois, durante o teste — que foi gravado e circula na mídia local de Victoria — foi possível ver o menino andar com confiança, tranquilidade e facilidade. Segundo Genevieve, o filho único precisa de equipamentos para ficar em pé e caminhar, a fim de favorecer o desenvolvimento ósseo, a postura, entre outros benefícios. No entanto, “os andadores tradicionais são pesados e difíceis de manusear, o que impede que Elliot consiga iniciar os movimentos sozinho — alguém precisa empurrar o andador enquanto ele se move. Isso exige esforço físico e, por isso, sua motivação é baixa”, detalha.

Elliot, Genevieve e Marc comemorando.

Elliot rebatizou o dispositivo de Robot Walker” [Andador Robô] e, segundo a sua genitora, a compra do equipamento poderá oferecer mais autonomia e uma caminhada mais confortável para o filho. Além disso, o encontro do dia 26 de setembro de 2025 permitiu a mãe e filho a experiência única de andarem, pela primeira vez, de mãos dadas. É oportuno dizer que outras crianças, mais novas e mais velhas, também tiveram a chance de testar o exoesqueleto robô em Victoria.

Sobre o acontecimento memorável de andar de mãos dadas com o filho único, Genevieve descreveu que foi um momento agridoce, no qual ela precisa valorizar e processar à sua maneira. Ela também comentou que é realista ao reconhecer que é improvável que Elliot consiga caminhar sem assistência, devido à gravidade de sua deficiência. No entanto, essa experiência — esse momento de caminhar de mãos dadas, de dançar ereto ao meu lado — foi incrível e inspirador.

“Eu sei que Elliot é determinado, inteligente e tem um potencial extraordinário, mas que precisa de mais apoio e de soluções criativas para alcançar tudo o que é capaz. Ver que ele conseguiu fazer algo que não pode realizar sozinho, com a ajuda do Trexo — um dispositivo pensado especialmente para crianças como ele, capaz de transformar a sua vida. No dia do teste, Elliot, com o maior sorriso, mostrou-me o quanto isso foi incrível para ele — caminhar com tanto conforto e leveza. Por isso, decidi que quero batalhar para oferecer isso a ele.”

Genevieve observou que Elliot estava com um olhar curioso ao usar o dispositivo Trexo e foi ficando mais confortável após alguns minutos. Seus músculos centrais se ativaram, fazendo com que a sua cabeça ficasse mais ereta; ele olhava ao redor, as suas mãos e todo o corpo estavam relaxados, em um estado de “aprendizado”. Ficou claro que foi uma experiência positiva para ele.

“A maternidade tem sido uma mestra constante — e ser mãe de Elliot, em especial, me transforma a cada dia.” Em palavras tocantes e inspiradoras, Genevieve compartilhou uma mensagem profunda: “A maternidade me obriga a viver o presente, a estar com ele e por ele. Os ‘e se’ do passado não mudam a jornada que temos pela frente, e antecipar o futuro dele é demais para digerir e resolver de uma só vez — então vivemos no curto prazo e seguimos em frente, um passo de cada vez. Ser mãe do Elliot me ensina que estamos trilhando um caminho completamente diferente daquele que eu imaginava. Isso me faz abrir espaço para valorizar até as menores conquistas, entender que os marcos são dele — e no tempo dele”.

A orgulhosa mãe de Elliot complementou: “Essa jornada desafiadora da maternidade e esse menino encantador, me transformou. Me fez amadurecer, me ensinou paciência e resiliência. Elliot é forte e cheio de personalidade, como a mamãe dele — não há nada que eu não faria para lhe dar a melhor chance possível na vida”.

Como ajudar Elliot e Genevieve Parent

“Eu realmente quero essa oportunidade para o Elliot.” Com essa frase repleta de determinação e prova de amor incondicional pelo filho, Genevieve, após perceber que as limitações financeiras da família poderiam adiar a possibilidade de Elliot andar, decidiu — com o apoio dos familiares, avós e rede de apoio — criar uma campanha de arrecadação de fundos para comprar o equipamento Trexo para o filho.

“Depois que postei o vídeo do Elliot nas redes sociais, alguns amigos comentaram que esse sonho poderia se tornar realidade se começássemos uma campanha de arrecadação. A meta de CAD$46.000 (ou US$32.000) não é um valor realista para mim, mas está longe de ser inalcançável. Acredito que podemos chegar lá — juntos, pelo Elliot.”

Apesar do otimismo com a campanha de doações, Genevieve Parent confidencia que é difícil aceitar que o filho, que já enfrenta tantos desafios por causa de sua deficiência, seja ainda mais limitado pela realidade financeira.

“Equipamentos para necessidades especiais são extremamente caros, e os custos se acumulam. É preciso veículos adaptados, casas adaptadas, assentos adaptados, entre outros — apenas para atender às necessidades básicas — e não há cobertura para nada disso para famílias como a minha. Então, dispositivos que vão além disso, que seriam para o bem-estar e a alegria do Elliot, como o Trexo, acabam ficando bem abaixo na lista de prioridades se eu tiver que arcar com tudo sozinha”, opina.

De fato, a campanha se faz necessária porque o custo do exoesqueleto robótico é elevado. Por isso, em prol da solidariedade e do bem-estar dessa criança, o Jornal de Toronto gentilmente me ofereceu a oportunidade de escrever sobre a história desse menino adorável e charmoso chamado Elliot Burns, e de sua aguerrida mãe, Genevieve Parent, que moram em Victoria, na província de British Columbia.

O link para a doação é https://www.supportnow.org/elliot-burns, e qualquer valor é bem-vindo — cada contribuição ajuda a fazer a diferença na vida do Elliot. Convido todos da comunidade brasileira a doar ou compartilhar com sua rede de contatos a história do Mr. Elliot, o menino que deseja ser um robô para começar a andar.

Pessoas de todo o mundo podem apoiar Elliot fazendo uma doação e/ou compartilhando o link em suas redes. A arrecadação está sendo feita pela plataforma SupportNow, que permite ao doador decidir se deseja que o beneficiário receba 100% do valor — o que é excepcional — e ainda oferece a menor taxa. É possível doar de qualquer lugar, em qualquer moeda, desde que se tenha um cartão de crédito. A campanha ainda inclui atualizações com vídeos, fotos e novidades ao longo do caminho para que o doador se sinta parte dessa jornada rumo a transformar Elliot no nosso Sr. Robô. Doe agora: supportnow.org/elliot-burns.

Para finalizar, pedi à Genevieve que deixasse um recado para a comunidade brasileira que mora em Toronto e nas cidades adjacentes da província de Ontário. Guardei para o fim essa curiosa informação: Genevieve já esteve no Brasil. Olha o recado que ela deixou para todos nós:

“Viajei por alguns meses pelo Brasil quando me formei na universidade. Que país incrível. Meu pai fala português fluentemente e tem ido ao Brasil com frequência desde a minha infância. Ele se apaixonou pela beleza natural, pelo povo e pelo calor humano. Então, quando tive a chance de explorar o país, fui — e simplesmente adorei o Brasil.”

Genevieve acredita que a deficiência não conhece fronteiras e está presente em todos os cantos do planeta. Sei que o Canadá oferece algum financiamento e ajuda aos pais de crianças com necessidades especiais, embora de forma limitada. Não sei como é o apoio e o financiamento no Brasil, mas espero sinceramente que seja melhor do que aqui — ou, pelo menos, que não seja pior.

Parent ainda disse que espera que as famílias no Brasil tenham algum nível de suporte e acesso a equipamentos adequados para seus filhos. E, para os pais que vivem uma realidade semelhante à sua, independentemente de onde moram e do país de origem, ela envia amor e força. “Obrigada”, disse ela ao final dessa entrevista.

Sobre mim

Eu sou Patrícia Romanelli, jornalista de formação no Brasil e, atualmente, babá do menino Elliot Burns. Escrevo esta matéria como voluntária, diretamente da cidade de Victoria, em British Columbia, para o Jornal de Toronto.

Convido toda a comunidade brasileira a conhecer a história desse bravo guerreiro e a contribuir para a campanha de arrecadação de fundos, para que Elliot possa adquirir o exoesqueleto robótico Trexo — um aparelho que pode transformar sua vida.

Conto com a solidariedade da comunidade brasileira, para que possamos juntos dizer: “Go Elliot, Go Elliot!”.

Sobre Jornal de Toronto (853 artigos)
O Jornal de Toronto nasce com o intuito de trazer boa notícia e informação, com a qualidade que a comunidade merece. Escreva para a gente, compartilhe suas ideias, anuncie seu negócio; faça do Jornal de Toronto o seu espaço, para que todos nós cresçamos juntos e em benefício de todos.

1 comentário em O menino que quer ser robô para… andar

  1. ELIANA MARTINS VANDANEZI // 22 de outubro de 2025 às 5:12 pm // Responder

    Que matéria linda e emocionante. Parabéns Patrícia, pela iniciativa

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Jornal de Toronto

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading