Uma história esquecida que merece ser contada

Famílias em guerra, duas cidades rivais e um amor proibido que culmina com o desaparecimento de Vila Franca do Campo

Personagens de "Herdeiros da Ruína", dirigido por Pedro Ponte.

Famílias em guerra, duas cidades rivais e um amor proibido que culmina com o desaparecimento de Vila Franca do Campo. Assim nasce Herdeiros da Ruína, uma longa-metragem que recria a sociedade açoriana imediatamente antes do grande terramoto de 1522 – a tragédia que submergiu a então vila mais populosa do arquipélago dos Açores e capital de São Miguel.

O projecto é liderado por Pedro Ponte, investigador privado e videasta luso-canadiano. Formado em realização pela Cinécours, Pedro investiga este período há quase vinte anos, baseando-se em Saudades da Terra de Gaspar Frutuoso, cartas régias, livros de historiadores, principalmente açorianos e outros documentos de arquivo. Perfeccionista assumido, já produziu pequenos documentários, curta-metragem, publicidade, videoclips, mas considera Herdeiros da Ruína a sua grande paixão. Toda a equipa será 100% açoriana – condição inegociável para o autor.

“Os Açores são um ‘estúdio’ natural de excellência, mas continuam pouco aproveitados”, afirma Pedro. Herdeiros da Ruína quer inverter essa tendência, dar trabalho a profissionais locais e, quem sabe, reabrir o debate – já com meio milénio – sobre a merecida elevação de Vila Franca do Campo a cidade.

A história se passa a partir de quando Beatriz, filha de lavradores em ascenção social de Vila Franca, é prometida a Diogo Vaz de Botelho, nobre arrogante de Ponta Delgada, numa tentativa de acalmar as tensões entre as duas famílias. Mas Beatriz apaixona-se por um escravizado, desencadeando um escândalo que reabre feridas antigas e reacende uma guerra sem fim.

Na época, a ilha – povoada há menos de 80 anos – vivia isolada no meio do Atlântico, praticamente abandonada pela Coroa, interessada sobretudo nos lucros do trigo, pastel e cana-de-açúcar, paragens de navios para abastecimento, etc. No que tocava ao controlo da disciplina da população, era um simples “desenrasquem-se”, desde que o dinheiro entre. Ouvidores Eclesiásticos e Corregedores disputavam a liderança da ilha, com padres lançando excomunhões em massa e chegando a suspender sacramentos. A rivalidade entre Ponta-Delgada e Vila Franca agravava-se; para piorar, São Miguel passou uma década sem o seu capitão-donatário, Rui Gonçalves da Câmara, enviado por ordem régia para a costa de África para o reforço da presença portuguesa naquela região. Mas há indícios que esta ordem tinha o objetivo de o afastar da capitania devido ao descontamente local. Ficou seu irmão, Bartolomeu Gonçalves que exerceu funções de administrador da capitania. No entanto, não recebeu oficialmente o título de capitão donatário, sendo apenas um “procurador” administrativo. O que só veio a piorar a situação. Por este motivo, o rei mandou de volta Rui Gonçalves, que foi recebido com alívio pelo povo. Mas de pouco serviu. O caos continuava.

Quando tudo parece prestes a explodir, eis que a natureza intervém: na madrugada de 22 de outubro de 1522, um terramoto seguido de uma derrocada arrasa Vila Franca do Campo, matando milhares de pessoas e alterando para sempre o futuro de São Miguel.

É este período turbulento que Herdeiros da Ruína quer levar ao grande ecrã – uma página da nossa história que muitos açorianos desconhecem.

A campanha para realizar o teaser

Para convencer produtores e entidades públicas a financiar o filme completo, o diretor Pedro Ponte está a angariar 7700 € (cerca de 12200 CAD). O montante cobre apenas o essencial: aluguer de equipamento de imagem e som, alimentação e remuneração da equipa técnica. O teaser – três cenas-chave, filmadas em cinco a seis dias – mostrará, sem spoilers, o tom histórico e a qualidade de produção.

Na página da campanha Ulule, encontrará a descrição completa do projecto e o orçamento detalhado. Patrocínios empresariais são muito bem-vindos e terão destaque nos créditos do teaser, que – sabemos – despertará a curiosidade e o orgulho da comunidade açoriana espalhada pelo mundo.

Português: https://br.ulule.com/herdeirosdaruina/

Inglês: https://www.ulule.com/herdeirosdaruina/

Francês: https://fr.ulule.com/herdeirosdaruina/

Página Instagram: https://www.instagram.com/herdeirosdaruina/

Página Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=61578690421134

Contamos com o apoio da nossa diáspora para tornar realidade o sonho de um açoriano nascido no Canadá. Partilhe, contribua, faça parte desta história.

Contactos: herdeirosdaruina2025@gmail.com  /  pedroalexponte@gmail.com

 

Sobre Jornal de Toronto (863 artigos)
O Jornal de Toronto nasce com o intuito de trazer boa notícia e informação, com a qualidade que a comunidade merece. Escreva para a gente, compartilhe suas ideias, anuncie seu negócio; faça do Jornal de Toronto o seu espaço, para que todos nós cresçamos juntos e em benefício de todos.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Jornal de Toronto

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading