Imigrar é ter o coração dividido

Era uma vez alguém que decidiu arrumar as malas lá no Brasil e partir para morar em outro país

por Mônica Candido

Era uma vez alguém que decidiu arrumar as malas lá no Brasil e partir para morar em outro país. Foi isso que eu fiz rumo ao Canadá, talvez você tenha feito também, alguém da sua família fez, ou ainda foi o destino de algum dos seus amigos. Hoje eu destaco essa trajetória contada a partir do olhar da jornalista Isabel Arruda. Ela, de forma sensível e generosa, compartilhou a sua jornada do Rio de Janeiro para as terras canadenses, no livro de crônicas A despedida de quem fui.

O exemplar que comprei ganhou a dedicatória da Isabel – ou Bel, para os íntimos – e no mesmo dia me entreguei à leitura. Logo percebi que iria ler rápido, pois parecia que eu estava em um bate-papo com uma amiga confidente no sofá da sala, de forma intimista. Ouso dizer que, como imigrante, no meio da leitura, é fácil se perder em um diálogo interno ou ainda deixar escapar em voz alta “é isso”.

A obra fala de liberdade, saudade, renúncia e aprendizado. Em princípio, essas são palavras simples, mas elas trazem a complexidade vivenciada por quem saiu da zona de conforto e deixou para trás desde o almoço com a família aos domingos até a sua própria identidade. É o flerte com a coragem e o medo, numa viagem repleta de descobertas, mas sem nunca deixar de lado a raiz brasileira. Olha só o que ela afirma: “o que sei é que o Brasil que carrego comigo estará sempre vivo (…) e isso acalma meu coração inquieto”.

A despedida de quem fui é sim a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida de uma jornalista que, para alguns, trocou o certo pelo duvidoso ao deixar uma carreira sólida na TV Globo rumo ao Canadá. Mas não é justo dizer que é só isso. O livro expõe a força, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher e os seus diversos papéis, que inclui ser profissional, amiga, esposa do João, mãe da Catarina, que ainda pequena embarcou junto neste sonho, e do Benjamin, que nasceu em Vancouver.

Portanto, fica a dica e o convite para que você se permita entrar no universo das crônicas de A despedida de quem fui e celebrar todas as experiências vividas pela Bel e sua família, que tiveram a coragem de partir. A autora transformou em palavras o que muitos de nós bem sabemos: “Ser imigrante é ter o coração dividido entre dois países e se sentir inteiro por estar caminhando a rota menos óbvia”. É isso!

Mônica Candido é jornalista e tem o coração dividido entre o Brasil e as cidades de Vancouver e Toronto.

Você pode adquirir o livro A despedida de quem fui, de Isabel Arruda, pelo website da Canoa Cultural.

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