A essencialidade do coletivo

e das aulas presenciais no processo de ensino-aprendizagem

Foto: Holly Dornak.

José Francisco Schuster é colunista do Jornal de Toronto

Com a pandemia, tornou-se possível ter ainda mais certeza da importância do coletivo para que atinjamos objetivos com maior facilidade. Reforçamos as ideias populares de que “a união faz a força” e de que “uma andorinha não faz verão”. O vital isolamento em casa para evitar a propagação da pandemia causou perda de produtividade. Mesmo com a tecnologia tendo auxiliado em muito para superar as barreiras, com uso intensivo de internet para mensagens e reuniões em vídeo, fica clara a sensação de que não é a mesma coisa do que estar em pessoa.

Alguém me disse uma vez que professores e escolas eram desnecessários: bastava dar ao aluno um livro e, ao concluir a leitura, ele prestar uma prova. Discordei totalmente, com uma história pessoal para comprovar: em um aniversário quando criança, ganhei um violão e um livro Violão sem mestre; obviamente, nunca consegui passar da primeira página. O papel do professor é essencial no processo ensino-aprendizagem, pois, por mais que tenhamos livros e sites na internet a respeito de um assunto, a explicação em pessoa, com a possibilidade de tirar dúvidas em seguida, faz toda a diferença.

Professor e aluno estarem no mesmo ambiente também se revelou importante, com as aulas online não tendo obtido a mesma produtividade das aulas presenciais – mais uma vez, foi uma medida essencial para controlar a pandemia, mas longe de ser uma substituta perfeita. E não só: aulas particulares se aplicam a casos específicos, pois estar em uma sala de aula com outros alunos também é essencial na aprendizagem. As dúvidas que colegas apontam ao professor podem ser também as suas, embora não as tenha percebido claramente. Discussões e trabalhos em grupo também são muito produtivos, e oferecem um referencial se o seu aprendizado está dentro do esperado ou sendo insuficiente. Estar em grupo também oferece paralelamente um aprendizado de socialização, que será aplicado no ambiente de trabalho posteriormente.

A sala de aula também oferece oportunidade de ensino prático, essencial para se verificar como os conceitos teóricos funcionam. Empresas atualmente estão apostando no treinamento individual online de novos funcionários, iniciativa para a qual tenho restrições. Boa parte dos treinamentos são sobre os sistemas de computador específicos da organização, e aprender a manejar softwares sem executá-lo, ou seja, sem ver na prática os resultados, deixa muito a desejar. Já os treinamentos em grupo, em sala de aula, tendem a ser muito mais eficientes, com o professor executando um comando e os alunos repetindo-o em seus computadores, sendo possível observar o resultado imediatamente. Na maioria das vezes, a cada passo pelo menos um aluno encontra um problema na execução, oportunizando ao professor explicar como ocorreu e qual a maneira de solucioná-lo, em informação importante para todos, tornando o aprendizado muito mais completo, rápido e eficiente. Em um aprendizado apenas teórico, o aluno encontrará uma série de problemas quando o aplicar pelas primeiras vezes.

Estar em classe também oferece ao professor um feedback mais preciso de como está o processo de aprendizado coletivamente, e recorda a todos a importância de ser inclusivo com os alunos com maiores dificuldades. Lembro de uma professora de dança, com muitos anos de experiência, que se irritava com alunos novatos que não conseguiam repetir os movimentos com perfeição logo após a explicação, tão fáceis para ela. É preciso dar tempo ao aprendizado, e quando feito de forma solitária, o aluno pode cobrar-se além do esperado. Estar em grupo, vendo colegas com as mesmas dificuldades, alivia a tensão. E o auxílio entre colegas é um importante complemento ao papel do professor. Viva o coletivo!

Sobre José Francisco Schuster (52 artigos)
Com quase 40 anos de experiência como jornalista, Schuster atuou em grandes jornais, revistas, emissoras de rádio e TV no Brasil. Ao longo dos últimos 10 anos, tem produzido programas de rádio para a comunidade brasileira no Canadá, como o "Fala, Brasil" e o "Noites da CHIN - Brasil". Schuster agora comanda o programa "Fala Toronto", nos estúdios do Jornal de Toronto.

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