Minha alma pernambucana no coração do Canadá

Sérgio Xocolate e a força do maracatu em Toronto

Imagem: Guilherme Gomes de Lima.

Katia Mesel é cineasta pernambucana

Conheci Sérgio Xocolate, o Xocô, na década de 80, nas rodas de capoeira, em um curso de Soma Terapia. Ficamos logo amigos, um tempo depois, descobrimos que ele já era amigo do meu segundo filho, Avir, que frequentava as rodas de capoeira de Chapéu de Couro. Não demorou para ele chegar na minha produtora ARRECIFE, falando da divulgação de uma apresentação sua. Fizemos o cartaz, da forma mais econômica e criativa possível, com o melhor resultado. O resultado: nunca mais paramos de trabalhar um com o outro, sempre que possível, nas mais variadas circunstâncias, e locais no mundo.

Admiro profundamente seu trabalho voluntário, seu trabalho com crianças, fazendo germinar o poder da criatividade em qualquer circunstância. Sua missão se espalhar o maracatu e a capoeira mundo afora, seu jeito destemido de conquistar o mundo, com a sua voz, seu corpo, sua musicalidade, seus personagens, seus ensinamentos.

Causo 1 – Quando ele foi para a Europa, eu estava na França, e sonhei com ele me dizendo que estava indo pra Paris, logo depois confirmei, era verdade, e consegui hospedagem para ele, e boas amizades no mundo da capoeira da França.

Causo 2 – Estava no carnaval de Olinda e encontrei Xocô, o caboclo de lança, brincamos um pouco e ele disse: “estou indo para o recife antigo, me apresentar quer ir?” – “quero!”. Pensei que era de carro, não, era de moto, e lá fui eu de carona com um caboclo lanceiro. É uma coisa quase impossível!!! E vários outros causos, que só comprovam a amizade, a confiança e a admiração mutuas.

Chocolate, participou de vários filmes meus, não só como Caboclo de Maracatu, e Mestre de Capoeira, mas interpretando personagens nos filmes: Um Lagostim pra Beliscar, O Rochedo e a Estrela, A Gira, Tô Ligada e o Clip Munganga de Boiadeiro, que produzimos especialmente para ele quando estava indo para Toronto.

… e por falar em clip, ZumbiDO Besouro é impactante, sonoridade moderna, tribal, tradicional, internacional, é roda, círculo, toré, explosões marcantes, solos dançantes numa base magnética. Imageticamente, um deleite para os olhos, o contraste do maracatu na neve, árvores desfolhadas e pujança do caboclo bradando aos elementos ZumbiDo Besouro!!! Passarada atrás do Besouro!!! Clamando por Zumbi, o guerreiro Libertador, nas avenidas de Toronto, nos metrôs, preenchendo os espaços com o melhor do rock, e o mais denso dos rituais de afirmação da nossa cultura, da nossa música, da nossa ancestralidade/modernidade. Essa louvação mexe com o mais íntimo das nossas emoções.

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1 comentário em Minha alma pernambucana no coração do Canadá

  1. Boa Sorte Xocô, incendeia esses tempos sombrios, com seu ZumbiDO Besouro!!!!! Obrigada Por me dar a palavra!!!! Axé!!!

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