Precisamos encorajar mulheres a mudar o mundo

Conheça o coletivo de apoio, sororidade e acolhimento às mulheres em Toronto

Roda de Conversa organizada pelo coletivo C.A.S.A., no Grange Park, em Toronto.

Branca Sobreira é escritora e jornalista

A primeira Roda de Conversa do Coletivo de Apoio e Sororidade e Acolhimento (C.A.S.A.) ocorreu em setembro de 2020, com o tema “Os desafios de ser expatriada”. Cada participante recebeu um pacotinho com chocolates que vinham com os dizeres “Precisamos encorajar mais mulheres a se atreverem a mudar o mundo”, uma frase da autora nigeriana Chimamanda Nigozi Adichie; e Leticia Xavier, fundadora do coletivo, levou essas palavras a sério e está fazendo a sua parte para, de fato, transformá-lo.

O C.A.S.A. surgiu oficialmente em agosto de 2020, mas a ideia do projeto começou quando Letícia sofreu um relacionamento abusivo em 2017. “Foi quando comecei a falar abertamente com outras mulheres sobre meu relacionamento que elas começaram a compartilhar comigo histórias muito parecidas. Todas vivendo em outro país e longe da sua rede de apoio. Foi então que eu vi a necessidade de criar um espaço seguro, sem julgamentos, de apoio e acolhimento, que eu mesma não encontrei quando precisei.”

A melhor terra para semear e fazer crescer algo novo outra vez está no fundo. Nesse sentido, chegar ao fundo do poço, apesar de extremamente doloroso, também é um terreno para semear, diz Clarissa Pinkola Estés, no livro Mulheres que correm com os lobos. O projeto surgiu na prática quando Leticia ficou desempregada por causa da pandemia, ela se dedicou à ideia do coletivo com outras amigas e o C.A.S.A. se tornou realidade. “O objetivo principal é ser ponto de encontro, um grupo que acolhe e apoia. Um espaço de troca que reforça nossas potências, criando uma aliança que emancipa mulheres”, diz.

Tem oito anos que Iara Ganer mora em Toronto, ela viu a publicação sobre o C.A.S.A. no Instagram de uma amiga, ficou interessada e se inscreveu no evento que iria acontecer. Ela participou das Rodas de Conversa sobre “Amizades Tóxicas” e “Síndrome de Impostora”. A consultora de imigração considerou os dois encontros valiosos, pois nunca teve a oportunidade de debater sobre tais assuntos e, na realidade, nem conhecia as temáticas abordadas. E quais foram os benefícios desses encontros? Iara diz que de extrema significância, como fonte de força, admiração, poder, conhecimento e vontade de ir à luta. “Me vi com sede de mudança no âmbito pessoal e também comunitário. Vontade de fazer mais por mim, por nós. Vontade de escutar e apoiar. Esses encontros são de uma força espetacular, que te move. Já consigo sentir suas sementes (plantadas em mim) germinando. O C.A.S.A. está plantando e regando tantas sementes, que não temos dimensão das florestas que estão surgindo como consequência. Desconheço projeto que tenha agregado mais na minha trajetória como mulher.”

O C.A.S.A. oferece, além das Rodas de Conversas, um Clube de Leitura mensal, um canal aberto para mulheres que precisem de apoio e acolhimento, grupo de meditação semanal e um núcleo especificamente voltado para mulheres lésbicas, bissexuais e transgênero. Todas as atividades são gratuitas.

Um dos encontros virtuais do coletivo.

As atividades não estão limitadas apenas às residentes de Toronto, a Louize Ghidetti mora em Paulínia, SP, e participou de dois encontros online, a Roda de Conversa e o Clube de Leitura. Ela menciona que foram oportunidades de aprendizado e trocas. “Poder ouvir outras mulheres relatando suas vivências gerou uma identificação e consciência de que não estou só, que posso encontrar nesse coletivo de mulheres apoio, conhecimento, solidariedade e força para enfrentar as minhas dificuldades.”

Os planos para o futuro do C.A.S.A. são inúmeros. Leticia Xavier diz que quer começar 2021 com a formalização do C.A.S.A. como organização não governamental (ONG), existe um podcast saindo do papel e sonho é o que não falta; os principais são: expandir as atividades para outros países, oferecer assistência jurídica e psicológica, além de promover palestras, oficinas e workshops em um espaço físico. Citando Clarissa mais uma vez “uma mulher que é solo fértil, sempre que alimenta a alma, garante expansão”. Imaginar um coletivo de mulheres é como olhar uma noite estrelada, “fitamos o mundo com milhares de olhos”. Olhos, mãos e fala que transformam vidas.

Ouça a entrevista com Leticia Xavier no programa “Fala Toronto“:

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2 comentários em Precisamos encorajar mulheres a mudar o mundo

  1. Maravilhosa essa oportunidade de apoio , fala, consolo, e solidariedade umas as outras

  2. Helvia Sobreira Canovas // 7 de janeiro de 2021 às 5:17 am // Responder

    Parabéns por essa bela criação, unidas seremos mais fortes! Que esse seja apenas o primeiro passo para novas conquistas.

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