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E quando a pandemia acaba?


Quais as estratégias para nos mantermos saudáveis física e emocionalmente quando os portões se abrirem?


Gui Freitas é médica

Tanto no Brasil quanto no Canadá, observamos diversas discussões sobre os benefícios do isolamento social versus o impacto dessa decisão na economia. Contudo, em ambos os países, o lockdown já é uma realidade, de maneira implícita ou explícita. Mas, afinal, quando a pandemia acaba?

Segundo os conceitos da OMS (Organização Mundial de Saúde), a pandemia acaba quando a doença em questão atingir um patamar de transmissibilidade que pode ser absorvido pelo sistema de saúde do país sem causar impactos, e quando a doença começar a participar do risco comum de adoecimento. Ou seja, não é um dia mágico, quando simplesmente todos os portões se abrirão e viveremos felizes para sempre sem o risco do adoecimento.

Se não nos preparamos para ficar em casa isolados, podemos começar a nos preparar para quando não houver mais restrições. Enquanto problema de saúde pública, cada governo vai preparar sua estratégia para o retorno pesando o impacto econômico e a saturação do sistema de saúde – outro tema que pode gerar muitas discussões, pois muitas cidades já trabalham com um sistema de saúde insuficiente para suas demandas. Algumas estratégias já têm sido aplicadas pelo mundo, como a testagem em massa, detectando as pessoas que já tiveram a doença, mesmo assintomáticas; triagem de casos novos pela medida da temperatura corporal e o retorno intermitente, onde os indivíduos trabalham por 2 dias e depois ficam 5 em casa, o que gera a diminuição da replicação viral na comunidade.

E nós, enquanto indivíduos, estamos preparados para o fim da pandemia? Quais as estratégias que vamos traçar para nos mantermos saudáveis física e emocionalmente quando os portões se abrirem? A mudança de hábito não é fácil, mas ela já deve começar a ser construída. Lavar as mãos com frequência, não levar as mãos aos olhos, nariz e boca, separar as roupas que estiveram na rua, não entrar em casa com sapatos, respeitar a distância para não falar muito perto das pessoas, estar mais atentos aos sintomas do corpo – muitos pacientes infectados por Covid-19 só se queixaram de ausência de olfato e paladar – são hábitos que devem ser incorporados e praticados mesmo depois do estado de alerta.

Temos que estar preparados emocionalmente, pois as relações não serão mais as mesmas; não apenas pela transformação individual provocada pela adversidade, mas também pelas mudanças nas prioridades e nas relações interpessoais, laborais e de consumo. Os impactos globais da pandemia vão ser refletidos no nosso cotidiano de maneira muito mais abrasadora do que podemos imaginar.

 

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