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O que o Ártico tem em comum com a Amazônia?


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Uýra Sodoma, persona do artista indígena brasileiro Emerson Munduruku, inspirada nos mitos da Amazônia. Foto: Lisa Hermes.

Jananda Lima é designer de inovação social

Atualmente, o mundo passa por transformações políticas, econômicas e sociais que têm impacto direto em nossas vidas. A arte se faz essencial nesse momento, pois ela faz o pensamento tomar forma e é a manifestação de como nós vemos, sentimos e refletimos o mundo. Nesse contexto, a arte indígena pode nos trazer perspectivas que nem sempre estão sendo percebidas pelo restante da sociedade.

Yube Huni Kuin.

Os territórios indígenas da Amazônia têm papel fundamental na conservação dos recursos naturais e preservação da biodiversidade. O desmatamento da floresta, seja pela prática do garimpo, criação de gado, grandes plantações de monocultura ou pelo corte de árvores para venda de madeira, contribui para o agravamento das alterações no clima.

Do outro lado do mundo, a calota de gelo do Ártico cumpre função vital na regulação da temperatura global. Mas as similaridades entre esses dois territórios, aparentemente tão diferentes, não param por aí. Riquezas naturais atraem interesses públicos nacionais, internacionais e de grandes corporações, e ambos também são zonas intensas de contato entre indígenas e não-indígenas.

Os povos indígenas são os grupos mais vulneráveis às mudanças climáticas, por terem uma relação indissociável com seus territórios. Não só sua saúde é afetada pela escassez de fontes alimentares tradicionais, como toda sua identidade cultural e dinâmica social são afetadas pelo desequilíbrio do bioma e pelos conflitos políticos.

Nos trabalhos de artistas do Ártico e da Amazônia, a particular relação com o território, o meio ambiente, a cultura e a política aparecem de forma contundente, combinando tradição e inovação e refletindo as mudanças pelas quais estamos passando. A arte é um poderoso meio de comunicação, um espelho do tempo e da circunstância em que vivemos. Como bem diz o artista Jaider Esbell, da etnia Makuxi, “a arte indígena contemporânea é o lugar de encontro do momento”.

“O coração do mundo”, do artista indígena brasileiro Jaider Esbell, que estará no Arctic Amazon Symposium 2019, em Toronto.

Jananda Lima faz parte do Wapatah: Centre for Indigenous Visual Knowledge, que está organizando o Arctic Amazon Symposium 2019, reunindo artistas indígenas do Ártico e da Amazônia nos dias 19 e 20 de setembro, no Harbourfront Centre, em Toronto.

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