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“Este ano será diferente!”


Quantas vezes você repetiu isso? A cada novo ano, novas promessas: quero mudar de vida; vou quitar a dívida; vou controlar as despesas; vou montar um novo negócio…

Foto: Gerd Altmann.

Alexandre Rocha é colunista do Jornal de Toronto

Quantas vezes você repetiu isso? A cada novo ano, novas promessas: quero mudar de vida; vou quitar a dívida; vou reduzir o consumo; vou controlar as despesas; vou montar um novo negócio, eu quero é dinheiro…

Você se prepara para o “ano da virada”. Compra aquela roupa amarela, pula sete ondinhas (ou dá sete pulos na neve) e come romã (o único dia do ano que você lembra que esta fruta existe). Passam-se doze meses e você nem se dá conta que aquela empolgação não passou dos primeiros quinze dias de janeiro. O seu consumo não reduziu, as dívidas continuaram e você não conseguiu guardar dinheiro para investir.

Ah! A mente humana…

O problema pode estar na forma e no modo como você pensa. Isso é explicado por Daniel Kahneman* em seu livro Pensar, depressa e devagar. Para Kahneman, existem duas maneiras de pensar: Sistema 1 e Sistema 2. O Sistema 1 é rápido, intuitivo e emocional. Ele oferece conclusões automaticamente. O Sistema 2 é mais lento, corajoso e racional. Ele oferece respostas conscientes.

Uma verdadeira mudança tem a sua origem no Sistema 2 e quando se trata de dinheiro, é dali que você tem que extrair a sua capacidade de decidir corretamente. Se você quer realmente entrar 2018 focado em mudar a sua relação com o dinheiro, você terá que lidar com três realidades:

1. Os nossos pensamentos são emocionalmente e socialmente condicionados e a indústria do consumo sabe disso. Somos bombardeados por todos os lados e esta indústria quer decidir por você. Por quê você consome? O produto realmente tem valor ou você compra “para os outros”? Não é fácil ficar de fora quando todo mundo está trocando de iPhone ou usando aquela “marca legal”. Mas tudo isso é emocional e garanto que a sensação de prazer não dura mais do que uma semana. Você está jogando dinheiro fora! A mudança é lenta e você terá que ter coragem para ir contra a maré. No longo prazo, você verá o resultado.

2. Se você é um assalariado, não ficará rico trabalhando. Infelizmente, como na maior parte das sociedades, você vai se aposentar com um salário limitado, provavelmente com uma idade elevada e pagará muitos, mas muitos, impostos até lá. Resumindo: o sinônimo do assalariado é limitação. Felizmente, existem algumas maneiras de sair deste ciclo limitado. Se você possui algum talento fora do seu ambiente de trabalho, que tal empreender e tocar um projeto paralelo nas horas vagas? Gosta de cozinhar? Tem habilidade com idiomas? Sabe desenhar? Dirigir? Ofereça o que você sabe fazer e, se for bom, sempre vai ter alguém disposto a pagar por seu serviço. Gosta da empresa onde trabalha e quer se dedicar 100% à sua profissão? Ótimo! Torne-se sócio dela e pense nos bônus e nas ações que vai receber fazendo aquilo que gosta. O que importa é que você vai começar a ter uma renda paralela ao seu salário e, esta sim, pode se tornar ilimitada.

3. Não adianta ganhar na loteria se você não tiver educação financeira. Um estudo da Vaderbilt University, no Tennessee, chegou à conclusão de que quem ganha de uma hora para outra uma quantia razoável de dinheiro está tão sujeito a enfrentar dificuldades financeiras quanto as pessoas que permaneceram dependentes do próprio esforço para arcar com despesas cotidianas. Surpreendentemente, os dados obtidos também mostraram que, alguns anos após a premiação, os ganhadores possuíam um nível de endividamento maior do que os que não ganharam nada. Aí é que entra a educação financeira, o conhecimento. Pouco importa a quantidade de dinheiro que você possui. Se você não sabe o que fazer com mil, também não vai saber o que fazer com um milhão. O dinheiro vai acabar!

Na virada do ano, não basta olhar para o céu e pedir o seu bilhete premiado. Ative o Sistema 2 na sua mente, esteja sempre em estado racional para lidar com as suas finanças, crie oportunidades que possam gerar renda ilimitada e, finalmente, estude muito e aprenda definitivamente como o mundo financeiro funciona.

Feliz Ano Novo!

 

* Kahneman tornou-se o primeiro não-economista a ganhar o Prêmio Nobel de Economia por sua investigação sobre processo de tomada de decisões em momentos de risco e incerteza.
Sobre Alexandre Rocha (7 artigos)
Alexandre Rocha é trader nos mercados futuros do Brasil, EUA e consultor financeiro independente. Em 2014, deixou o Banco do Brasil para fundar a consultoria Aletinvest. Se formou em economia pela UCAM-RJ e é mestre em Études Internationales pela Université de Montréal. Atualmente mora em Montreal, mas é apaixonado por Toronto. _ www.aletinvest.com

2 comentários em “Este ano será diferente!”

  1. “Se você é um assalariado, não ficará rico trabalhando” — aqui vale também a discussão “o que é ser rico pra você?” 😉

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    • Tudo bem Daniel? Muito obrigado pelo comentário. Vale sim, a discussão sobre o que é ser rico. Um tema muito interessante. Para mim, ser rico é ter um patrimônio e/ou uma renda que possibilite que você tenha o estilo de vida que você deseja, sem depender de terceiros (principalmente de Governos). Um forte abraço!

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