Cristiano de Oliveira é colunista do Jornal de Toronto
Ano XIV, Parte 2
Saudações, baianos de Alpercata.
Resumo do capítulo anterior: Dona Armênia mandou Tony Ramos jogar a Torre de Babel na chón. Jade se apaixonou pelo Cigano Igor e foram os dois posar pra foto do rótulo da Catuaba Selvagem; Jamanta mata Sandrinha; Cristiano voltou do Brasil e começou a contar caso: é a parte final das tradicionais “Notícias da Baixada”, o único noticiário do Brasil estritamente dedicado àquilo que ninguém quer saber.
• O português brasileiro é uma língua espetacular que nos dá milhões de possibilidades de escrita e fala, mas infelizmente ninguém dá valor ao que tem (até perder), e com isso o que se vê no Brasil é todo mundo tentando colocar alguma coisa em inglês em tudo que se fala e escreve. Liquidação é coisa do passado, agora é “sale”. Que Sale é esse, é filho de Seu Sales da Acadia? Já não existe desconto, tudo é “off”. Aliás, desculpa aí, não é off, é ófi. O trailer do Renato, tradicional ponto de encontro das mais intelectualizadas baratas e ratazanas da capital mineira, agora é Renato Fine Burguers! Você pode chamar um x-tudo daqueles de qualquer coisa, menos de “fine”! E cerveja agora vem da “brewery” no “growler”. Growler da brewery não, irmão… aí cê mata Sandrinha. Aí cê tá pedindo “bullying”! Ninguém pega serviço mais, pega “job”. É, eu já tinha desconfiado mesmo que havia uma certa falta de serviço envolvida nisso.
Mas ainda assim, o Brasil é um barato. Voltar lá é sempre uma lembrança do quão importante são as pequenas coisas, os pequenos prazeres que não há dólar que pague. Como eu disse acima, só se dá valor ao que se perde.
Adeus, cinco letras que choram.

