O conflito de gerações entre um black bloc e seu pai, pastor evangélico da periferia do Recife

Carlos Eduardo Amaral lança o livro “Sem relva”.

O autor Carlos Eduardo Amaral. Foto: Fernanda Pinheiro.

Comunicado pela polícia sobre a detenção de seu filho, um estudante universitário de Ciências Sociais, em um protesto pela melhoria do transporte público no Recife, um pastor evangélico se dirige ao local do interrogatório para tentar liberá-lo. Ambos acabam se vendo obrigados a tratar de suas diferenças, acirradas por visões de mundo antagônicas, e tentando resolvê-las durante os intervalos dos depoimentos à polícia.

Esse é o pano de fundo para a condução da narrativa de Sem relva, primeiro romance do jornalista, escritor e crítico musical Carlos Eduardo Amaral.

Em um quadro de ampla insatisfação popular em relação aos serviços públicos de transporte e à mobilidade urbana em geral no Recife, é organizado um violento protesto que resulta na detenção de diversos manifestantes, após confronto com a polícia. Um dos detidos, um black bloc, e seu pai, líder religioso de periferia, têm finalmente a oportunidade de revelar ressalvas e mágoas entre si, e desnudam mazelas das pequenas e grandes corrupções do dia a dia, que alimentaram com o intuito de garantir aceitação de grupo e ascensão social. Durante a detenção policial, a investigação sobre a rede de contatos que sustenta o movimento dos manifestantes consegue atingir seu objetivo, mas descobre existir um ponto inconveniente a ser resolvido…

Os maus-tratos aos animais, os preconceitos burgueses, o trabalho de base das comunidades evangélicas e a diversidade de abordagens da imprensa completam o quadro sociológico de Sem relva, que o autor define como “uma ópera contemporânea, travestida de romance, acerca do cotidiano recifense”.

“Após uma trajetória produtiva como crítico musical e pesquisador, com foco na música clássica e na música popular pernambucana, me motivei a me dedicar ao processo criativo do meu primeiro romance – na verdade o primeiro de uma trilogia onde abordo, gradativa e respectivamente, temáticas políticas e sociais locais, nacionais e internacionais como pano de fundo para desvelar comportamentos e subterfúgios que vão de encontro ao bem comum, e também para abordar a superação de conflitos morais e interpessoais pela via que segue da dor ao perdão, passando pelo inevitável sofrimento desse exercício espiritual”, detalha Amaral.

Carlos Eduardo Amaral acrescenta: “O Recife não escapa às consequências de graves problemas de infraestrutura espalhados por todos os continentes, especialmente em muitas metrópoles, nesta era de globalização e contraglobalização que vivemos. Esse é o caso dos gargalos do sistema de transporte público. Além disso, busco superar visões provincianas e românticas que construíram o imaginário da capital pernambucana na literatura regional. Assim, cada capítulo de Sem relva é uma crônica sobre o Recife de hoje”.

O livro já se encontra à venda pela Amazon, nas versões física ou e-book.

Leia aqui um trecho do livro:

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